O caso de um sonho: Saiba mais sobre a penhora total de um castelo herdado, o qual pertencia a um dos cantores sertanejos mais relevantes do país

E um imponente castelo, pertencente a um dos nomes mais relevantes do sertanejo, virou assunto novamente em janeiro deste ano de 2026, após uma ação judicial.

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Trata-se de José Rico, dupla de Milionário, que construiu em Limeira (SP) esse projeto que se estendeu por 24 anos e serviu como cenário para inúmeros sonhos do artista.

De acordo com o portal G1, o imóvel enfrenta seu momento judicial mais decisivo.

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Em dezembro de 2025, a Justiça do Trabalho determinou a penhora da área total do imóvel, avaliado em R$ 15,1 milhões.

Milionário e José Rico (Foto Reprodução/YouTube/Globo)
Milionário e José Rico no Programa do Jô (Foto: Reprodução/YouTube/Globo)

A medida, oficializada no início de 2026, visa viabilizar um novo leilão da propriedade para garantir o pagamento de vultosas dívidas trabalhistas deixadas pelo músico, falecido em 3 de março de 2015, aos 68 anos.

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Uma entrave

A mudança na estratégia do Judiciário foi motivada pela inviabilidade das tentativas anteriores. Por diversas vezes, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) tentou leiloar frações do imóvel, como a parcela de 21,2%, avaliada em R$ 3,2 milhões, pertencente a um ex-empresário da dupla.

Além disso, houve tentativas de leiloar o todo em 2023, sem sucesso.

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Em novembro de 2025, uma proposta de R$ 1,6 milhão pela área total foi rejeitada por estar significativamente abaixo da avaliação de mercado.

Ao decidir pela penhora total, o juiz substituto da 2ª Vara do Trabalho de Americana, Marcelo Luis de Souza Ferreira, fundamentou que a venda de “partes ideais” de bens imóveis dificulta a entrega da prestação jurisdicional.

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Castelo de José Rico (Foto: Reprodução/Montagem TV Foco)
Castelo de José Rico (Foto: Reprodução/Montagem TV Foco/Fantástico/Globo)

A penhora total, portanto, surge como a via para conferir efetividade ao processo de execução e, finalmente, oferecer uma solução para os credores.

De símbolo de sucesso a cenário de abandono

O imóvel, localizado às margens da Rodovia Anhanguera (SP-330), possui dimensões colossais: uma área total de 48 mil metros quadrados e uma estrutura que contaria com mais de 100 quartos.

Para José Rico, o castelo não era apenas uma moradia; era o “seu mundo”.

Em entrevista ao programa Fantástico em 2014, o cantor detalhou seus planos de transformar o local em um centro cultural, incluindo um museu da dupla Milionário & José Rico e um hotel temático.

Contudo, a realidade após sua morte tomou um rumo distinto. O inventário complexo, a crise financeira do país e o custo elevado da obra interromperam os sonhos da família.

Mas o que deveria ser um monumento à história sertaneja tornou-se, na verdade, um registro de declínio:

  • Estado de conservação: Relatos e imagens de 2024 e 2025 documentaram sinais claros de abandono, como pichações, ferrugem, vidros quebrados e a invasão do mato alto em áreas que antes abrigavam campo de futebol e uma piscina em formato de viola;
  • Regularização: A Prefeitura de Limeira apontou que a dificuldade de notificação para limpeza também se devia ao fato de o imóvel estar em processo de transição fundiária, sendo vinculado ao Incra, o que impedia a aplicação de taxas urbanas tradicionais.
Fala Brasil também mostrou o castelo construído por José Rico em Limeira, interior de São Paulo (Foto: Montagem/TV Foco/ Record/YouTube)
Fala Brasil também mostrou o castelo construído por José Rico em Limeira, interior de São Paulo (Foto: Montagem/TV Foco/ Record/YouTube)

Veja a linha do tempo com os acontecimentos abaixo:

A trajetória do castelo após 2015 foi marcada por sucessivos planos frustrados:

  • 2015: Família anuncia a continuidade da obra e a criação de um museu e hotel temático;
  • 2017: A crise econômica e a falta de parceiros investidores forçaram o abandono da ideia de conclusão do projeto;
  • 2022: A Justiça do Trabalho comunicou a penhora inicial do imóvel, motivada por uma ação de um ex-músico da dupla que reivindicava verbas como 13º, férias e FGTS não quitados entre 2009 e 2015;
  • 2024-2026: Após falhas em leilões parciais e ofertas insuficientes, a Justiça determinou a penhora da área total, encerrando a fase de tentativas de venda de frações e colocando toda a propriedade à disposição para quitação das pendências.

O castelo de José Rico foi leiloado já?

Até o presente momento, não há definição sobre a data de um novo leilão.

O castelo permanece como um testamento inacabado de uma das maiores vozes do Brasil, aguardando que o martelo judicial ponha fim ao impasse e defina o futuro de um terreno que, um dia, almejou ser o epicentro do turismo e da memória sertaneja em São Paulo.

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