Moto acessível vira alvo de disputa bilionária no Brasil depois que 2 gigantes decidem investir pesado para desafiar Honda e Yamaha

O mercado brasileiro de motos entrou em uma nova fase depois do anúncio bilionário envolvendo a iFood e a 99. As duas empresas decidiram investir mais de R$ 300 milhões em um projeto voltado para a fabricação de motos elétricos no Brasil, em uma iniciativa que chamou atenção de gigantes tradicionais como Honda e Yamaha.

Continua depois da publicidade

O plano não envolve apenas a produção de veículos. O projeto pretende criar uma cadeia industrial completa, com fabricação nacional de baterias, motores, peças eletrônicas, sistemas de recarga e até reciclagem de componentes.

A expectativa apresentada pelas empresas prevê a circulação de 600 mil unidades elétricas até 2035, com foco principalmente em trabalhadores de aplicativos e profissionais que dependem do transporte diário para garantir renda.

Continua depois da publicidade

A movimentação ganhou força porque o Brasil possui uma das maiores frotas do mundo nesse segmento. Atualmente, o país conta com cerca de 30 milhões de veículos de motos em circulação, número que pode crescer ainda mais nos próximos anos. Grande parte dessa frota pertence a entregadores, profissionais autônomos e trabalhadores que utilizam o veículo como principal ferramenta de trabalho.

Nesse cenário, a promessa de redução nos custos operacionais virou um dos pontos mais importantes do projeto. Segundo estimativas divulgadas pelas empresas envolvidas, os modelos elétricos podem diminuir gastos com abastecimento e manutenção em até 60%. A mudança chamou atenção porque muitos trabalhadores enfrentam despesas elevadas com combustível, troca de peças e revisões constantes. Para quem roda o dia inteiro, qualquer economia faz diferença no orçamento do mês.

Motos entregador 99food (Foto: Reprodução/ Internet)
Motos entregador 99food (Foto: Reprodução/ Internet)

A proposta nasceu dentro de um fundo criado pela gestora YvY Capital, especializada em projetos ligados à transição energética e infraestrutura sustentável. O termo “transição energética” significa a troca gradual de fontes tradicionais e poluentes por alternativas mais limpas e modernas. Na prática, isso envolve reduzir o uso de combustíveis fósseis, como gasolina e diesel, para ampliar o espaço da eletrificação. O fundo recebeu apoio inicial do iFood ainda em 2025, mas ganhou força após a entrada da 99 como investidora âncora do projeto.

Continua depois da publicidade

O investimento também tenta resolver um problema antigo da eletrificação no Brasil. Atualmente, o país ainda possui pouca estrutura voltada para veículos elétricos. Muitas cidades não oferecem pontos de recarga suficientes, a produção nacional é pequena e grande parte das peças ainda depende de importação.

O novo projeto tenta mudar esse cenário ao incentivar fábricas locais e estimular novas empresas do setor. Além disso, a iniciativa pretende ampliar o acesso ao financiamento para trabalhadores que desejam trocar o veículo tradicional por um modelo elétrico.

Outro detalhe importante envolve o impacto ambiental. Empresas de entrega passaram a sofrer pressão crescente por práticas mais sustentáveis. O uso de combustíveis fósseis aumenta a emissão de gases poluentes, principalmente nas grandes cidades.

Continua depois da publicidade

Com a expansão da eletrificação, a expectativa é reduzir parte dessas emissões ao longo dos próximos anos. Especialistas do setor afirmam que a mudança pode transformar o mercado brasileiro de mobilidade urbana, principalmente entre trabalhadores que passam o dia inteiro nas ruas.

Melhores motos para trabalhar com Ifood no Brasil (Foto: Reprodução/Internet)
Motos – Ifood no Brasil (Foto: Reprodução/Internet)

A disputa também ganhou um lado estratégico. A liderança da Honda e da Yamaha no Brasil sempre esteve ligada aos modelos populares, principalmente aqueles usados para deslocamento diário e trabalho. Agora, gigantes da tecnologia e dos aplicativos decidiram entrar justamente nesse espaço. Isso explica por que o anúncio provocou repercussão imediata no setor automotivo. O trabalhador que hoje depende da moto para fazer entregas pode se tornar o principal alvo dessa nova disputa industrial.

Quem trabalha com entrega sabe que a moto representa muito mais do que transporte. Ela garante renda, amplia oportunidades e permite jornadas mais flexíveis. Por isso, o custo de manutenção pesa tanto no bolso. Pneus, óleo, combustível e revisões frequentes costumam consumir parte importante dos ganhos mensais. O projeto aposta exatamente nessa dificuldade financeira para convencer trabalhadores a migrarem para modelos elétricos.

As empresas envolvidas afirmaram que o plano também deve estimular a criação de startups brasileiras focadas em mobilidade, baterias e sistemas de compartilhamento. Startup é o nome usado para empresas jovens que desenvolvem soluções inovadoras, normalmente ligadas à tecnologia. O objetivo é criar um ecossistema nacional capaz de competir com mercados internacionais que já avançaram bastante nesse setor, como China e Índia.

Outro ponto que chama atenção envolve a possibilidade de ampliação da produção nacional. Hoje, boa parte das motocicletas vendidas no Brasil sai da Zona Franca de Manaus, região industrial criada para incentivar o desenvolvimento econômico da Amazônia. Com o avanço da eletrificação, novas fábricas podem surgir em outras regiões do país, principalmente se o projeto realmente alcançar os números divulgados pelas empresas.

Motos Honda e Yamaha (Foto: Reprodução/ Internet)
Motos Honda e Yamaha (Foto: Reprodução/ Internet)

Apesar do entusiasmo, o mercado ainda observa alguns desafios importantes. Muitos consumidores demonstram preocupação com autonomia das baterias, tempo de recarga e valor final dos modelos elétricos. Além disso, parte dos trabalhadores teme que a infraestrutura brasileira ainda não esteja preparada para uma mudança tão rápida. Mesmo assim, o investimento colocou pressão sobre marcas tradicionais e mostrou que o setor de mobilidade entrou em um período de transformação acelerada.

A avaliação de analistas do mercado é que a moto elétrica deixou de ser apenas uma aposta distante e passou a ocupar espaço estratégico dentro da economia brasileira. O tamanho do investimento, a participação de grandes empresas e o foco no trabalhador urbano reforçaram essa percepção. Agora, o setor acompanha os próximos passos do projeto para entender se a iniciativa realmente conseguirá mudar o mercado nacional nos próximos anos. A expectativa cresceu porque a moto elétrica passou a ser vista como uma alternativa de economia para milhões de brasileiros.