Hoje os tempos são outros, e países como o Brasil, por exemplo, são tomados pela onda do “politicamente correto”, que afeta e até censura, principalmente o humor. Uma piada que foge ao mínimo do “contexto”, muitas vezes já é considerada preconceituosa.
É o que aborda e critica Renato Aragão. Prestes a completar 80 anos, um dos maiores ícones do humor brasileiro, reclama da perseguição ao humor politicamente incorreto, e diz que antigamente, principalmente na época em que atuou em “Os Trapalhões” (1966 – 1995), negros e homossexuais não se ofendiam com piadas, pois sabiam que faziam parte do humor e não tinha a intenção de ofender. “Naquela época, essas classes dos feios, dos negros e dos homossexuais, elas não se ofendiam. Elas sabiam que não era para atingir, para sacanear”, afirma.
“Na época, a gente fazia como uma brincadeira. Era uma brincadeira de circo entre mim e o Mussum (1941-1994). Como se fôssemos duas crianças em casa brincando. A intenção não era ofender ninguém. Hoje, todas as classes sociais ganharam a sua área, a sua praia, e a gente tem que respeitar muito isso”, diz ele em entrevista a nova edição da revista Playboy.
Após a renovação de contrato com a Globo até 2017, o humorista conta que não tolera críticas contra a emissora, principalmente ao programa beneficente Criança Esperança, do qual é padrinho. “O programa explode e é: ‘Ah, por que a Globo, em vez de fazer aquele programa, não doa o dinheiro para o povo?’ É cruel isso. Me incomoda muito quando falam da Globo. Eu não admito que falem mal da Globo”, afirma.
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