Novela tem coisas engraçadas. Verifica-se, por parte de seus autores, que mesmo podendo se utilizar de determinadas prerrogativas, existe sempre a preocupação de se aproximar cada vez mais da realidade.

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Alguns, se valendo da experiência de muitos anos, atingem este objetivo com facilidade, outros nem tanto, embora a maioria deles ainda não revele se importar com certos detalhes, bastante importantes do lado de cá. A segurança, entre eles.

É impossível lembrar quantas foram as vezes que as personagens da Débora Bloch e Camila Morgado já invadiram o apartamento da Carolina Ferraz em “Avenida Brasil”. Sempre passaram pelo porteiro do prédio e jamais foram anunciadas pelo interfone. Ao contrário, entram sem bater e nunca encontraram a porta fechada. Nas últimas duas semanas isso aconteceu, por baixo, quatro ou cinco vezes. Chave, tranca ou trinco, entre outras travas, são palavras que não existem nos dicionários de nenhuma delas.

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Nos tempos de agora, no Rio, São Paulo ou qualquer outro grande centro, ninguém mais facilita desse jeito. O perigo mora ao lado. O mundo que mostram as novelas com toda certeza não é o nosso.

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Flávio Ricco

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