Narrador escondeu acordo de pista sobre vitória de Gerhard Berger e levou uma bronca histórica de poderoso da Globo
O locutor Galvão Bueno guardou a sete chaves uma informação estratégica de bastidor durante a transmissão do tricampeonato mundial de Ayrton Senna no Grande Prêmio do Japão, em 20 de outubro de 1991.
Porém, ao optar por não revelar ao público o acordo de pista que previa a vitória de Gerhard Berger, o narrador enfureceu o até então diretor-geral da Globo, Boni.
A omissão escancarou os bastidores da parceria e da intimidade entre o locutor e os pilotos da Fórmula 1.

De acordo com o portal NDTV, com base nos relatos do próprio narrador em sua autobiografia “Fala, Galvão”, o enredo mistura alta tensão esportiva, pegadinhas dignas de comédia e um plano de vingança com pílulas para dormir que quase arruinou a transmissão brasileira.
Guerra de pegadinhas:
Muito amigo de Ayrton Senna e de Gerhard Berger, companheiro do brasileiro na McLaren, Galvão Bueno protagonizava travessuras nos países por onde a Fórmula 1 passava.
Em uma viagem de trem-bala entre Tóquio e o autódromo de Suzuka, um ano antes do GP de 1991, Galvão invadiu a mala de Berger com a cumplicidade de Senna.
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O narrador encheu os sapatos sociais do austríaco com gel de barbear.

O piloto teve de caminhar pelos corredores do hotel, calçando os sapatos repletos de espuma, enquanto gritava pelo jornalista.
Mas a resposta de Berger veio no dia seguinte, quando um funcionário da McLaren insistiu repetidamente para que Galvão tomasse um suco de laranja nos boxes.
Desconfiado, o locutor recusou a bebida.
Mais tarde, a esposa de Berger revelou o plano secreto: o piloto havia colocado cinco comprimidos para dormir no copo.
Ou seja, se Galvão tivesse bebido, teria caído em sono profundo na cabine de transmissão, impedindo-o de narrar a conquista do título mundial daquela temporada.
O acordo secreto
No dia 20 de outubro de 1991, Ayrton Senna largou em segundo lugar, logo atrás de Berger.
Quando o rival Nigel Mansell abandonou a prova nas voltas iniciais, o título mundial ficou matematicamente assegurado para o brasileiro.
O que o público desconhecia é que, após negociações nos boxes entre Senna e o chefe da equipe, Ron Dennis, ficou combinado que o brasileiro cederia a vitória ao companheiro caso o campeonato fosse garantido.
Nas curvas finais da última volta, Senna reduziu drasticamente o ritmo e permitiu que Berger o ultrapassasse quase sobre a linha de chegada.
Ao ver a manobra, Galvão explodiu ao microfone, gritando: “Eu sabia, eu sabia!”, exaltando a atitude do piloto brasileiro na pista.
Por que a Globo ficou brava com Galvão Bueno?
Contudo, essa comemoração efusiva custou caro ao locutor. Logo após a corrida, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, telefonou para o narrador e o questionou:
“Se você sabia, por que não contou antes? Era sua obrigação profissional.”
Anos mais tarde, Galvão reconheceu que o dirigente global estava correto.
Embora compreendesse a estratégia de bastidor para premiar Berger, ele falhou jornalisticamente ao não antecipar o contexto aos telespectadores durante as voltas anteriores.
Do outro lado, o próprio Berger relatou em sua biografia, “Na Reta de Chegada”, que guardou certa mágoa do episódio.
Para o austríaco, a entrega na última linha foi um gesto desnecessário que serviu apenas para lembrar ao mundo quem dominava a equipe.
Se Senna quisesse presenteá-lo, deveria ter feito a troca dez voltas antes.
Apesar da rusga técnica, a amizade entre os três resistiu intacta até a morte do piloto brasileiro em 1994.
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Autor(a):
Lennita Lee
Jornalista com formação em Moda pela Universidade Anhembi Morumbi e experiência em reportagens sobre economia e programas sociais. Com olhar atento e escrita precisa, atua na produção de conteúdo informativo sobre os principais acontecimentos do cenário econômico e os impactos de benefícios governamentais na vida dos brasileiros. Apaixonada por dramaturgia e bastidores da televisão, Lennita acompanha de perto as movimentações nas principais emissoras do país, além de grandes produções latino-americanas e internacionais. A arte, em suas múltiplas expressões, sempre foi sua principal fonte de inspiração e motivação profissional.



