Opinião: Fogo cruzado

07/11/2011 às 09:25 · Tempo de leitura: 3 minutos

Vivemos em uma democracia, embora muitas vezes isso não aconteça. Cada um tem sua opinião, seu modo de enxergar as coisas. Eu tenho o meu, gostaria de compartilhar e também saber a opinião dos leitores e comentaristas.

A Polícia Militar na manhã de sexta-feira fez uma operação na favela de Antares, na zona oeste do Rio de Janeiro. Como sempre as equipes de reportagem de várias emissoras foi escalada para acompanhar toda a operação, mesmo sabendo de todo risco existente.

Coletes a prova de bala são fornecidos pelas emissoras para “proteger” os cinegrafistas e repórteres. Mesmo assim, o risco continua sendo altíssimo, pois todos sabemos que bandidos não utilizam armas tipo revólver calibre 38 ou 22. Bandidos que tem essa prática ilícita como profissão utilizam armamento pesado e quantas vezes não vemos pela reportagem armas apreendidas que são de uso exclusivo do exército.

Infelizmente ocorreu o inesperado: um profissional da equipe da Rede Band foi baleado no peito durante os registros do tiroteio envolvendo policiais e bandidos. Gelson Domingos de 46 anos, chegou a ser socorrido, mas não suportou os ferimentos.

Infelizmente.

Minha opinião: acredito ser tremenda falta de responsabilidade das emissoras, dos profissionais e principalmente da Polícia que permite a presença de civis totalmente desprovida de treinamento, tática, equipamento de segurança no meio de fogo cruzado onde bandidos atiram para matar mesmo não importando se tem crianças ou profissionais trabalhando.

Como pode fornecer apenas um colete a prova de balas para essas pessoas enfrentar um fogo intenso pelas favelas? Estão pensando que o colete segura o quê? Um tiro de fuzil perfura facilmente um simples colete. E agora? Como fica? Fazer um enterro bonito com caixão maravilhoso e com homenagens não vai trazer Gelson de volta!

E a Secretaria de Segurança Pública? Por que permite que equipes de reportagem continuem junto aos policiais em intenso fogo cruzado? Por quê não proíbem esse tipo de reportagem? Por quê esperar o pior acontecer para depois tomar providências? E ainda, quando acontecem esse tipo de tragédia, os policias precisam socorrer as vítimas ficando também desprotegidos e vulneráveis. Precisam prestar socorro e ao mesmo tempo se proteger.

Confronto entre Polícia e traficantes. A população é quem sofre.

É claro que alguns vão dizer que estão ali por liberdade de imprensa, que o papel deles é informar, mostrar a operação policial, o que também concordo e respeito. Agora tente explicar isso aos familiares.

Comente, participe. Queremos saber sua opinião.

                                                                                                                                       Texto: Roberto Sabbatino / Twitter: @robsabbatino

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