Para conseguir R$ 3,5 bi, SBT, Record e RedeTV! ameaçam usar seus noticiários contra operadoras de TV

20/03/2017 às 10:32 · Tempo de leitura: 3 minutos

Silvio Santos, Marcelo de Carvalho e Edir Macedo, donos do SBT, RedeTV e Record, respectivamente (Foto: Divulgação/Montagem TV Foco)

Silvio Santos, Marcelo de Carvalho e Edir Macedo, donos do SBT, Record e RedeTV (Foto montagem: TV FOCO)

Como se sabe, a guerra está montada entre as emissoras abertas Record, SBT e RedeTV! contra as Operadoras de TV Paga.

Os três canais, segundo informações de Daniel Castro, armaram um plano que inclui ameaças a interesses bilionários, publicidade e mobilização de telespectadores e de parlamentares.

A primeira etapa do estratagema começará no próximo dia 29, quando o sinal analógico da Grande São Paulo será desligado. Com isso, eles poderão cobrar das operadoras pelo sinal digital que fornecerem.

Como se sabe, as emissoras criariam a Simba, joint venture para facilitar as negociações com a TV Fechada. Na semana passada, a Simba contratou Marco Gonçalves, banqueiro e ex-sócio do BTG Pactual, para atuar como negociador com as operadoras.  Trata-se de um profissional experiente na fusão e aquisição de empresas, temido no mercado financeiro. Ele é temido como aquele que ninguém quer ter do outro lado.

O cálculo feito pelos canais da Simba é que, como as três correspondem a 20% de toda a audiência da TV por assinatura, os seus sinais valem aproximadamente R$ 15,00 mensais por assinante. Considerando o fato de haverem 19 milhões de assinantes no país, isso são quase R$ 3,5 bilhões brutos por ano.

Um dos maiores trunfos das redes é a PLC 79. O projeto de lei complementar altera a a Lei Geral de Telecomunicações, com profundas mudanças no setor, o que beneficiaria principalmente as operadoras. O projeto, que está tramitando no senado, promoverá anistia de multas e transferência de infraestrutura, e beneficia as teles com R$ 100 bilhões, praticamente o faturamento de um ano do setor.

Mas como isso é positivo para Simba? É que as operadoras estão sendo “sugestionadas” a aceitar o pagamento pelos sinais, pois as redes estão prontas para bombardearem seus noticiários com essa informação potencialmente escandalosa contra as operadoras.

A inspiração de toda essa movimentação das redes abertas foi a disputa da Fox contra a Sky. No fim de janeiro, a Fox cortou os sinais de seus canais da operadora. Os assinantes não gostaram nada e se revoltaram com a Sky, e a Fox acabou conseguindo um bom aumento.

As emissoras utilizarão as redes sociais e os intervalos comerciais para sensibilizar seus telespectadores de que o que reivindicam é legal e justo e ressaltarão o fato de que a Globo já cobra por seu sinal. Outra inspiração é a Netflix, que chegou de mansinho com sua pequena mensalidade e hoje só no Brasil já fatura mais que o SBT.

Além disso, a bancada evangélica, a mando da Record, já está avisada sobre uma possível necessidade de usar sua influência contra o interesse da PLC. Vamos aguardar os próximos capítulos desta guerra.

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