
“Jornal Nacional” aposta na informalidade para atrair o público (Foto: Reprodução/ Globo)
Principal telejornal do país – e o mais tradicional – , o “Jornal Nacional” quebrou duas regras só nesta semana. Na segunda-feira (11), uma reportagem sobre desemprego usou um efeito de edição para acelerar a imagem. Até a semana anterior, intervenções deste gênero eram proibidas. Na terça-feira (12), William Bonner resolveu chamar no ar a nova moça do tempo, Maria Júlia Coutinho, de Maju. Foi praticamente uma espécie de “decreto”. Até a semana passada, apelidos não eram permitidos.
As modificações tem como foco tornar o “JN” mais ‘atraente’, para conquistar mais público. Uma pesquisa realizada pela Globo no início do ano detectou que os telespectadores não se sentem mais atraídos pelo telejornal. As mudanças fazem parte do pacote que estreou em 27 de abril, quando o “Jornal Nacional” estreou novo cenário e se tornou mais informal, permitindo que seus âncoras caminhem pelo cenário e conversem com repórteres e correspondentes em um telão.
Nas emissoras da Globo pelo Brasil, Maju e o uso do fast forward foram o assunto da semana. A liberação de apelidos é vista como um avanço, visto que até pouco tempo atrás, até trechos de reportagens eram cortados em cima da hora porque, por um deslize, o profissional deixara escapar um “tá”, no lugar de “está”. A informalidade era vista como um elemento que reduzia a credibilidade.
O recurso do avanço rápido (fast forward) foi utilizado em uma reportagem em que era pertinente. O repórer Phelipe Siani contou 162 pessoas em uma fila de desempregados em São Paulo. Para não deixar o material a coisa mais chata do mundo, as imagens e voz do jornalista foram acelerados.
Em um tom conversado, o texto de Siani foi apresentado a jornalistas da Globo em todo o Brasil, em um seminário comandado por William Bonner no mês passado, como exemplar do que o ‘novo’ “Jornal Nacional” procura. Conhecido como “clone de Bonner”, Siani virou modelo no canal carioca. Dez anos atrás, ele foi dispensado, após um longo estágio, porque era “solto” demais para gesso que a Globo impunha a seus profissionais.
Com informações do jornalista Daniel Castro.
