Patrícia Kogut: 'Avenida Brasil' perde por ignorar a era digital

20/09/2012 às 16:36 · Tempo de leitura: 2 minutos

Muito já se falou sobre o impacto, supostamente negativo, dos avanços tecnológicos na dramaturgia. Claro que, depois do advento do teste de DNA, jamais teria havido o drama de Capitu e Bentinho. Mas, Machado de Assis, se fosse um escritor contemporâneo, teria à sua disposição um enorme novo repertório de matéria-prima para inventar suas histórias. Câmeras digitais, web cams ocultas na casa do inimigo, hacking no computador alheio, enfim, ninguém precisa da escuta atrás da porta e da velocidade do correio tradicional para criar bons enredos. Importante é a imaginação. Há séries a rodo que comprovam isso. Só para citar duas, lembro “Revenge” e “Homeland”.

Por isso, a vingança de Nina em “Avenida Brasil” não anda em boa fase. Como embarcar numa trama que envolve fotos num cofre de banco se qualquer Zé Mané pode filmar com qualquer aparelho de celular mixa e salvar tudo num e-mail? E voltando ao DNA, está difícil acreditar que Nina relute tanto em propor um exame para, finalmente, mostrar que dois e dois são quatro.

Com isso, o sal da novela está na comédia. Até o núcleo de Cadinho anda divertido. Sem falar no la ronde envolvendo Leleco, Muricy, Adauto e Tessália. “Avenida Brasil” é produzida em HD, falta seu enredo entrar em sintonia com isso.

Por Patrícia Kogut / O Globo

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