Pelo de roedor no chocolate: Lei da Anvisa informa sujeira em doce mais popular do Brasil

Anvisa autoriza a presença mínima de pelo de roedor, fragmentos de insetos e outras matérias estranhas em alimentos

20/01/2026 às 17:24 · Tempo de leitura: 6 minutos

Ilustração rato e Anvisa (Fotos: Reproduções/ Canva / Internet)

Anvisa permite presença mínima de fragmentos de roedores em alimentos

Encontrar a informação de que chocolate pode conter pelo de roedor, fragmentos de insetos e outras matérias estranhas costuma causar espanto nos consumidores. Mas, o que muita gente não sabe é que a legislação brasileira autoriza a presença mínima desses resíduos em alimentos, desde que estejam dentro de limites considerados seguros pela Anvisa.

A regra que define esses limites é a RDC nº 14, publicada em 2014. Antes dela, o Brasil não contava com parâmetros claros sobre a tolerância de matérias estranhas em alimentos.

De acordo com informações do portal UOL, a norma estabelece quantias máximas de fragmentos visíveis ou microscópios que podem aparecer nos produtos sem representar risco à saúde do consumidor.

Entre os resíduos previstos pela legislação estão:

  • Pelos de roedores
  • Fragmentos de insetos, como moscas, formigas, baratas e aranhas
  • Teias, areia e até pelos humanos

No entanto, tudo isso é permitido apenas quanto está dentro do limite máximo estabelecido para cada alimento.

Pelo de roedor pode estar no chocolate?

A legislação autoriza que achocolatados em pó, um dos doces mais populares no país, contenham até um fragmento de pelo de roedor a cada 100 gramas.

Além disso, o mesmo critério da Anvisa vala para outros produtos amplamente consumidos no dia a dia.

Limites de sujeira

De acordo com a DC nº 14, as regras são específicas para cada tipo de produto. Confira alguns exemplos:

Molho e extrato de tomate, ketchup e derivados:

  • 1 fragmento de pelo de roedor a cada 100g
  • Até 10 fragmentos de insetos por 100g

Doces em pasta e geleias de frutas:

  • Até 25 fragmentos de insetos por 100g

Farinha de trigo:

  • Até 75 fragmentos de insetos por 50g

Biscoitos, panificação e confeitaria:

  • Até 225 fragmentos de insetos por 225g

Café torrado e moído:

  • Até 60 fragmentos de insetos por 25g

Chá de manta ou hortelã:

  • Até 2 fragmentos de pelos de roedor
  • Até 5 insetos inteiros mortos
  • Até 300 fragmentos de insetos por 25g

Orégano:

  • Até 20 fragmentos de insetos por 10g

Frutas desidratadas:

  • 1 fragmento de pelo de roedor a cada 225g

Por que a Anvisa permite esse tipo de contaminação?

Ingrid Schmidt-Hebbel, coordenadora do curso de Tecnologia em Gastronomia do Centro Universitário Senac Santo Amaro, reforça que produzir alimentos industrializados totalmente livres de fragmentos é praticamente impossível.

De acordo com a especialista, insetos pequenos e animais fazem parte do ambiente agrícola e podem ser levados juntos com os alimentos durante a colheita, transporte ou armazenamento.

“Insetos e pequenos animais vivem nas lavouras e acabam sendo carregados durante a colheita. Além disso, podem entrar em contato com os alimentos durante o transporte e o armazenamento”, explica Schmidt-Hebbel.

Isso faz mal para a saúde?

De acordo com a Anvisa, quando respeitados os limites legais, esses fragmentos não oferecem risco à saúde.

Além disso, os alimentos passam por processos térmicos e industriais que eliminam a maior parte dos micro-organismos nocivos.

Por fim, quando um produto ultrapassa limites permitidos, a Anvisa toma providências e suspende os produtos. Desse modo, a empresa também é obrigada a:

  • Recolher os lotes do mercado
  • Suspender a comercialização
  • Corrigir falhas no processo de produção

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