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Dramaturgo da Rede Globo atribui às camadas D e E a fraca audiência da primeira metade de ‘Insensato Coração’

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A trama das nove da Globo, Insensato Coração, vem obtendo bom desempenho no Ibope nas últimas semanas, com índices acima de 40 pontos na Grande São Paulo. A novidade é um alívio para a emissora carioca. Em seus primeiros quatro meses, a trama de Gilberto Braga e Ricardo Linhares teve dificuldades para atingir 35 pontos. A demora na arrancada, segundo o também dramaturgo Silvio de Abreu, se deve à lentidão das classes populares para entender o que se passa na tela.

“O público D/E tem uma dificuldade de perceber as coisas”, diz Abreu. Noveleiro com larga experiência – só na Globo são mais de 30 anos –, Abreu também sentiu dificuldade para emplacar Passione, a antecessora de Insensato Coração. Como a trama atual, ela demorou para pegar. Foi só na reta final, e com a ajuda de um mistério – quem matou Saulo Gouveia (Werner Schünemann) – que o folhetim teve bons índices de audiência.

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O desafio do Ibope retornará em breve para Silvio de Abreu. O dramaturgo trabalha no remake de Guerra dos Sexos, novela de sua autoria exibida com sucesso nos anos 1980. A nova versão do folhetim, que deve contar com Tony Ramos e Irene Ravache nos papeis principais, está prevista para 2012. Foi sobre a retomada do próprio clássico e a penetração das novelas nas classes sociais que Silvio de Abreu falou ao site de VEJA.

Especialistas acreditam que Insensato Coração demorou a formar público por ter uma trama muito ágil e cheia de reviravoltas. O senhor concorda? Foi a mesma crítica que fizeram a Passione. Mas acho que não, porque, apesar de acontecer muita coisa em Insensato Coração, ela dedica mais tempo a explicar as situações do que Passione.

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Por que só agora a novela começou a pegar? Porque o público finalmente a decodificou. Leva um tempo para o público entender. É assim: quando você tem uma audiência de 30 pontos no Ibope, está pegando uma determinada classe, o público A/B. Mas falta o público D/E, que ainda não entrou e que é a plateia maior.

É diferente a absorção da novela pelos públicos A/B e D/E? O público D/E tem dificuldade de perceber as coisas. Eles precisam de tempo . O público A/B percebe com mais propriedade porque tem raciocínio mais rápido.

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Foi a entrada da classe D/E que deu impulso a Insensato Coração? Sem dúvida. Quando a novela ficou mais inteligível para o público que estava assistindo, cresceu.

A novela está repleta de personagens sem ética. Isso ajuda ou atrapalha? Hoje em dia, é assim: o público gosta mais dos personagens sem ética. Isso não acontece somente nessa novela.

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Agora que Norma, a personagem de Glória Pires, está se dando bem de forma incorreta, o público está mais ligado na trama? Eu não sei se é exatamente isso. Sei que a trama está interessante, mas exatamente por que eu não sei. Você quer que eu faça crítica da novela do outro, e eu não vou fazer (ri).

A primeira exibição de Guerra dos Sexos aconteceu há quase trinta anos. A segunda versão da novela sofrerá muitas mudanças?
A sinopse vai ter de mudar. A novela era a história de um grupo masculino que não queria ser suplantado pelo feminino. A primeira exibição aconteceu numa época em que a mulher estava ainda cavando o seu lugar fora de casa, principalmente nas empresas. Hoje, uma mulher é presidente do Brasil, então, a situação se inverteu. Eu vou ter de considerar isso, o campo de força se inverteu. Eu não posso fazer do mesmo jeito ou será uma novela de época.

Como isso vai afetar o argumento central, da disputa entre os sexos?
Vai continuar sendo uma trama sobre a briga entre os dois sexos. Mas os homens já não vão poder brigar para impedir que as mulheres subam, e sim pelo fato de elas já terem subido. Elas já ascenderam, e os homens estão inferiorizados agora. É muito complicado de fazer, principalmente porque o que está feito é muito bom.

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