Prêmio Multishow: ideia é boa; execução nem tanto

07/09/2011 às 17:55 · Tempo de leitura: 3 minutos

A cerimônia de entrega de prêmios é um formato tipicamente americano. Nenhum outro país domina como os Estados Unidos a arte de criar falso suspense, contar piadas bobas e humilhar os convidados.

Bom, o Brasil até que tenta apesar de por aqui não existirem muitos prêmios importantes. Na música, por exemplo, temos só dois, e ambos estão atrelados a canais de TV. Um deles, aliás, nem é exatamente de música: o Video Music Brasil, da MTV, premia os melhores clipes do ano, mas na prática é um grande show musical.

O outro troféu de destaque é o Prêmio Multishow, que ontem teve sua 18a. edição. Não vou nem comentar os premiados: o fato do público poder votar pelo site quantas vezes quiser não é um aval de qualidade. Só mostra qual artista tem os fãs mais engajados.

Já a premiação em si partiu de uma ótima ideia: homenagear / tirar sarro dos programas de auditório, esta sim uma modalidade artística tipicamente brasileira. Mas alguma coisa se perdeu entre a concepção e a execução.

Talvez tenha faltado foco. No longuíssimo “tapete vermelho” que comeu quase uma das duas horas e meia de transmissão Fernando Caruso, Fábio Porchat e Paulo Gustavo diziam que a noite era dedicada aos anos 70 e 80. Para ilustrar o tema, estrelaram vinhetas satirizando o Queen, o Menudo e o Guns’n’Roses que ficaram meio fora do lugar numa festa de música brasileira.

A confusão não parou por aí: um esquete subsequente foi inspirado em Popeye, cujos desenhos animados foram produzidos na década de 30. O fato de ainda serem exibidos nos anos 80 não os transformaram em ícones daquela época.

No palco o anfitrião era Bruno Mazzeo, que quase deu conta do recado. Apesar do esforço e da simpatia, ele não tem o talento camaleônico do pai Chico Anysio: muitas de suas imitações ficaram pelo meio do caminho.

Com alguns quadros aconteceu o mesmo, como a canhestra banheira do Gugu ou a intervenção algo forçada de dona Ermínia, o personagem que Paulo Gustavo faz há anos no teatro.

Os poucos números musicais pareciam improvisos de karaokê. E vai ver que foram mesmo mal ensaiados: não deve ser fácil conciliar as agendas de tantos artistas diferentes. O repertório, em teoria, deveria se concentrar em sucessos dos 70 e 80. Mas houve tantas exceções que os objetivos se perderam.

O Prêmio Multishow não foi um programa desagradável, e muita coisa funcionou a contento: o cenário, as bailarinas, algumas piadas. Mas, no final, sobrou a sensação de que poderia ter rendido muito mais. Os brasileiros ainda não sabemos direito como premiar a nós mesmos.

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