Psiquiatras se revoltam com cena de O Outro Lado do Paraíso: "Estimula o preconceito"

24/11/2017 às 21:21 · Tempo de leitura: 3 minutos

Clara (Bianca Bin) em cena de O Outro Lado do Paraíso. (Foto: Reprodução/TV Globo)

Clara (Bianca Bin) em cena de O Outro Lado do Paraíso. (Foto: Reprodução/TV Globo)

Ultimamente, a Globo vem sendo surpreendida com constantes cartas de repúdio de órgãos, que questionam o modo como alguns temas são retratados em suas produções.

Em agosto deste ano, por exemplo, a emissora foi alvo de críticas do Coren-SP (Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo) pela maneira como retratou os enfermeiros na série Sob Pressão. O órgão alegou que a produção exaltou o trabalho dos médicos, mas não deu o devido espaço a outros profissionais da área. “A enfermagem está 24 horas por dia ao lado do paciente, ouvindo suas angústias e dores, esforçando-se para atender prontamente o soar da campainha nas longas madrugadas e se dedicando ao cuidado científico, para oferecer uma assistência segura aos usuários do SUS”, diz o Coren em um trecho de uma carta aberta.

Desta vez, o alvo é a atual novela das 21h, O Outro Lado do Paraíso. A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) divulgou em seu site oficial uma carta aberta, direcionada à Globo, onde repudia a abordagem feita pela emissora em uma cena envolvendo a protagonista Clara (Bianca Bin). No capítulo da última terça-feira (23), a jovem acaba sendo internada à força em um asilo pela vilã Sophia (Marieta Severo), e foi logo submetida a uma sessão de choques celebrais.

+ Grazi Massafera fala sobre nova fase de O Outro Lado do Paraíso e personalidade vingativa de Clara

“A ABP manifesta a sua profunda inconformidade à cena veiculada, que descaracteriza esse procedimento médico, além de prestar um desserviço à população, estimulando o preconceito e o estigma relacionados às doenças mentais, aos pacientes psiquiátricos e à psiquiatria”, diz o órgão em um trecho da carta divulgada.

Em resposta à coluna Sem Intervalo, do jornal Estadão, a emissora rebateu as críticas e ressaltou que “as novelas são obras de ficção sem compromisso com a realidade, como registramos ao final de cada capítulo. Ao recriar livremente situações presentes em nosso cotidiano, a teledramaturgia busca apenas tecer o pano de fundo para as histórias”.

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