Dia, Americanas, Bombril e mais: Quais empresas lutam contra falência no Brasil?

O cenário preocupante da Dia, Americanas, Bombril e diversas companhias que enfrentam a ameaça real da falência no Brasil

30/09/2025 às 17:45 · Tempo de leitura: 5 minutos

Falência de empresas (Foto: Reprodução)

O cenário preocupante da Dia, Americanas, Bombril e diversas companhias que enfrentam a ameaça real da falência no Brasil

Nos últimos anos, o Brasil tem assistido a um desfile de gigantes cambaleando. Empresas que pareciam inabaláveis, parte do cotidiano de milhões de pessoas, de repente se viram diante de dívidas impagáveis, escândalos contábeis, medo de irem à falência e mudanças de mercado que não souberam acompanhar.

Dia, Americanas, Bombril, Casas Bahia, nomes que, em algum momento, representaram confiança e tradição, hoje lutam para não desaparecer. O que está em jogo não é apenas a sobrevivência de marcas conhecidas, mas também a memória afetiva de consumidores que cresceram comprando nelas.

Americanas (Foto: Reprodução / Globo)

O caso do Dia talvez seja o mais emblemático de como uma estratégia pode se perder no caminho. A rede chegou ao Brasil com a promessa de preços baixos e proximidade com o cliente, mas acabou acumulando prejuízos e fechando centenas de lojas.

Porém, em 2024, a operação foi vendida por um valor simbólico, e agora está sob o comando do empresário Nelson Tanure. Ele promete uma reestruturação profunda, que pode até incluir integração com outras redes, como o Pão de Açúcar. O desafio é reposicionar uma marca que perdeu relevância, recuperar a confiança de fornecedores e, ao mesmo tempo, manter viva a ideia de conveniência que um dia foi seu diferencial.

A Americanas, por sua vez, viveu um terremoto. A revelação de fraudes contábeis bilionárias abalou não só a empresa, mas todo o mercado financeiro brasileiro. A companhia entrou em recuperação judicial e, desde então, tenta se reconstruir. O novo comando insiste em que a empresa está “a cada trimestre mais próxima de se tornar uma empresa normal”, mas o peso do passado ainda é grande.

Contudo, a estratégia atual é voltar ao básico: reforçar o varejo físico, ajustar o mix de produtos e padronizar as lojas. Parece simples, mas não é. A concorrência é feroz, especialmente com gigantes digitais como Mercado Livre e Magazine Luiza.

A Americanas conseguiu se recuperar?

Apesar dos esforços, os números ainda assustam. No primeiro trimestre de 2024, a Americanas registrou prejuízo de quase R$ 500 milhões. Mesmo assim, há sinais de recuperação em algumas categorias, como alimentos e higiene.

Agora, a empresa aposta em eficiência logística e renegociação de dívidas, tentando mostrar que pode, sim, voltar a ser competitiva. Mas a confiança dos investidores não se reconstrói da noite para o dia. E o consumidor, que viu a marca envolvida em um dos maiores escândalos corporativos do país, também precisa ser reconquistado.

Se a Americanas luta contra o peso de um escândalo, a Bombril enfrenta o fardo de uma dívida gigantesca. São R$ 2,3 bilhões em passivo e um pedido de recuperação judicial que tenta dar fôlego à companhia.

A marca, que por décadas foi sinônimo de esponja de aço e produtos de limpeza, perdeu espaço para concorrentes mais inovadores. Faltou modernização, diversificação de portfólio, ousadia. Hoje, a sobrevivência depende de cortes de custos, renegociações e, talvez, da entrada de novos investidores.

A Casas Bahia, por sua vez, vive uma transição que simboliza o fim de uma era. Depois de anos de expansão agressiva, a rede acumulou dívidas bilionárias e precisou entregar o controle à Mapa Capital, em 2025.

A família Klein, fundadora da empresa, perdeu protagonismo. Porém, a nova gestão converteu dívidas em participação acionária e reduziu parte do passivo, mas o desafio agora é outro, reinventar a marca em um mercado saturado e cada vez mais digital. A aposta está em novos formatos de loja e campanhas que resgatam a identidade histórica da rede

Por fim, a luta de Dia, Americanas, Bombril e Casas Bahia é também a luta de marcas que fazem parte da memória coletiva do brasileiro. São nomes que carregam histórias, jingles, propagandas icônicas. Mas tradição, sozinha, não paga dívida nem garante futuro.

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