Valor do PIS/Pasep segue atrelado ao reajuste do salário mínimo
O reajuste de 6,79% no salário mínimo, oficializado para 2026, vai além do holerite mensal e impacta diretamente o valor do abono salarial PIS/Pasep, garantindo pagamentos maiores a milhões de trabalhadores com carteira assinada (CLT) em todo o Brasil.
Com o novo salário mínimo fixado em R$ 1.621, o valor máximo do abono salarial também sobe, conforme o tempo de trabalho no ano-base.
De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), cerca de 26,9 milhões de trabalhadores devem receber o PIS/Pasep em 2026.
O recurso total liberado está estimado em R$ 33,5 bilhões, reforçando a importância do benefício na renda das famílias brasileiras.
Quando começa o pagamento do PIS/Pasep 2026?
O pagamento do PIS/Pasep 2026, referente ao ano-base 2024, começa em 15 de fevereiro. Nessa primeira liberação, recebem o benefício os trabalhadores nascidos em janeiro.
O calendário segue de forma escalonada e varia de acordo com o mês de nascimento do benefício, e os valores ficam disponíveis para saque até 30 de dezembro de 2026.
De acordo com o governo federal, quem não retirar o dinheiro dentro do prazo não perder automaticamente o direito do abono.
O trabalhador pode solicitar o pagamento posteriormente, por meio de requerimento formal, em até cinco anos.
Veja datas oficiais:
| Nascidos em | Recebem a partir de |
| Janeiro | a partir de 15 de fevereiro |
| Fevereiro | a partir de 15 de março |
| Março | a partir de 15 de abril |
| Abril | a partir de 15 de abril |
| Maio | a partir de 15 de maio |
| Junho | a partir de 15 de maio |
| Julho | a partir de 15 de junho |
| Agosto | a partir de 15 de junho |
| Setembro | a partir de 15 de julho |
| Outubro | a partir de 15 de julho |
| Novembro | a partir de 15 de agosto |
| Dezembro | a partir de 15 de agosto |
Quem tem direito ao PIS/Pasep?
Para receber o abono salarial, considerando o ano-base 2024, o trabalhador precisa atender aos seguintes critérios:
- Estar inscrito no PIS/Pasep há pelo menos cinco anos
- Ter trabalhado com carteira assinada por, no mínimo, 30 dias em 2024
- Ter recebido remuneração média mensal de até R$ 2.766,00
- Ter os dados corretamente informados pelo empregador na RAIS ou no eSocial
O PIS é destinado a trabalhadores da iniciativa privada, enquanto o PASEP é destinado para servidores públicos.
No entanto, alguns grupos ficam de fora do abono, por exemplo:
- Empregados domésticos
- Trabalhadores rurais contratados por pessoa física
- Trabalhadores urbanos empregados por pessoa física
- Trabalhadores contratados por pessoa física equiparada a jurídica
Mudança nas regras reduz o número de benefícios
Além disso, uma mudança importante nas regras do PIS/Pasep entrou em vigor Emenda Constitucional nº 135/2024.
Antes, o limite de renda para ter acesso ao benefício era de até dois salários mínimos mensais. Agora, esse teto passa a ser reajustado apenas pela inflação e não mais pelo aumento do piso.
Na prática, isso significa que, ao longo dos anos, menos trabalhadores devem se enquadrar nos critérios, reduzindo o número de benefícios.
De acordo com o governo, a medida busca garantir a sustentabilidade do programa no longo prazo, mantendo o poder de compra do benefício e controlando os gastos públicos.
Isso porque, caso o abono continuasse atrelado ao salário mínimo, o número de beneficiários cresceria automaticamente a cada reajuste, pressionando as contas públicas.
Qual é o valor do PIS/Pasep em 2026?
Mesmo após as mudanças no critério de renda, o valor do abono segue vinculado ao salário mínimo vigente.
Desse modo, em 2026, o pagamento varia conforme o tempo trabalhador com carteira assinada em 2024:
- R$ 136 para quem trabalhou apenas um mês
- R$ 1.621 para quem trabalhou durante todo o ano
Veja os valores:
| Meses trabalhados em 2024 | Valores que receberá em 2026 |
| 1 mês | R$ 136 |
| 2 meses | R$ 271 |
| 3 meses | R$ 406 |
| 4 meses | R$ 541 |
| 5 meses | R$ 675 |
| 6 meses | R$ 811 |
| 7 meses | R$ 946 |
| 8 meses | R$ 1.080 |
| 9 meses | R$ 1.216 |
| 10 meses | R$ 1.351 |
| 11 meses | R$ 1.486 |
| 12 meses | R$ 1.621 |
Salário mínimo de 2026
Em 24 de dezembro, o Diário Oficial da União publicou o Decreto nº 12.797, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que oficializa o novo salário mínimo a partir de 1º de janeiro de 2026.
Com o reajuste de 6,79%, o mínimo subiu de R$ 1.518 para R$ 1.621, com os seguintes valores de referência:
- Valor diário: R$ 54,04
- Valor por hora: R$ 7,37
Política de valorização
Desde 2023, o Governo Federal adota a Política de Valorização do salário mínimo, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada em agosto do mesmo ano.
De acordo com o governo, a regra determina que o reajuste anual considere:
- A inflação medida pelo INPC, acumulada em 12 meses até novembro do ano anterior (4,18%)
- O crescimento real do PIB de dois anos antes
Em dezembro, o IBGE confirmou que o PIB de 2024 cresceu 3,4%. No entanto, o arcabouço fiscal limita o ganho real do salário mínimo a um intervalo entre 0,6% e 2,5%.
Por fim, o valor calculado chegou a R$ 1.620,99, que foi arredondado para R$ 1.621, conforme determina a legislação, consolidando o reajuste de 6,79%.
