Quando uma rede reina solitária, acaba a liberdade de expressão. O telespectador não pode ser a fonte de tal censura.
A Record não tem mostrado movimentação somente na rede normal, tem ido além. Também investiu, e muito, na atual e atratativa Record News. Heródoto soube por ritmo nas notícias, torná-las interessantes, tem fugido do pedantismo, do mundo-cão, tem deixado abertura para o telespectador continuar ligado nas próximas notícias. Você lembra do quanto ia ficando pesada a sequência da rede, víamos uma, duas e logo queríamos outros canais. A nova filosofia mudou esta postura. Dá para largar o controle de lado e curtir a News.
Mas não somente pela seleção, os âncoras passam à léguas do tom marcial dos anos 70/80 de Cid Moreira e ainda mais distante da voz embargada e solene de Willian Bonner. O sorriso está presente, o envolvimento com a leitura fica claro e em momentos sérios, nada de brincadeirinhas no ar. O contato entre estúdio e jornalistas em campo é perfeito, a quantidade de informações e a explanação destes, mesmo quando ao vivo, trazem um quadro completo da notícia. A equipe de imagem trás vida, tem conseguido mostrar exatamente o fato, com cortes em tempo correto, expondo na tela o dinamismo que nós precisamos para nos manter ligados.
A Record News mudou para melhor. Você observará a plasticidade tanto dos estúdios como o ar simpático dos apresentadores e âncoras, verá cores apropriadas em todo o cenário e notará a falta de excessos. Os efeitos visuais e sonoros são agradáveis, focados no mundo jornalístico e atraem a atenção do telespectador.
Notadamente a rede está se esforçando para continuar no ar, não estão travados, chorando as derrotas, há profissionalismo, qualidade, suor e, felizmente, ânimo visível. Da nossa parte seria conveniente prestigiarmos estes trabalhadores. Se há motivação de lá, imagine você o quanto seria importante para eles perceberem o mesmo do lado de cá da telinha. Não podemos matar esta fonte de informação. Toda e qualquer empresa precisa de um concorrente mostrando o outro lado da notícia. Não sejamos os responsáveis pela queda desta fonte de jornalismo. Façamos nossa parte para manter viva a concorrente da Globo News.
Há esforço do lado de lá, há do lado de cá?
Tudo bem que a Record normal tem atingindo 15 pontos, sinal de que valorizamos a qualidade atingida, mas só vamos valorizar quando tratar-se de dramatização? Nada faremos quando a função da rede é trazer o puro jornalismo para nossos lares? Convido você, leitor, a pensar nisso. Mais Record News, mais Tv Cultura, mais campo para o trabalho cultural.
Texto: Cleomar Santos / Twitter: @cleomarsantos
