Governo Federal projeta salário mínimo de R$ 1.631 para 2026, mas valor pode mudar
Em 01 de setembro, o portal R7, da Record, confirmou a nova projeção do governo para o salário mínimo de 2026. O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) prevê que o piso nacional suba para R$ 1.631 no próximo ano.
Desse modo, se confirmado, o salário mínimo terá um aumento de R$ 113 em relação aos atuais R$ 1.518, representando um reajuste histórico de 7,44%.
O novo piso passa a valer em janeiro de 2026, refletindo no contracheque pago aos trabalhadores em fevereiro de 2026.
Valor pode mudar
No entanto, o governo só divulgará o valor definitivo em dezembro de 2025. Isso ocorre por conta da divulgação do INPC acumulado até novembro.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor é usado como base legal para corrigir o salário mínimo.
Pela regra atual, o reajuste é calculado da seguinte forma:
- Inflação (INPC) acumulada em 12 meses até novembro
- Crescimento real do PIB de dois anos antes, ou seja, no caso de 2026, o PIB de 2024, que avançou 3,4%
No entanto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou em dezembro de 2024 uma nova política para o piso nacional.
Entre 2025 e 2030, o aumento real – acima da inflação – não poderá ultrapassar 2,5%, mesmo que o PIB cresça mais que isso.
Piso salarial impacta milhões de brasileiros
De acordo com um estudo do Dieese, o salário mínimo serve de referência para 59,9 milhões de pessoas. Isso inclui:
- Trabalhadores formais que recebem o valor mínimo
- Aposentados e pensionistas cujo benefício acompanha o salário mínimo
- Beneficiários do BPC (Benefício de Prestação Continuada)
Além disso, o aumento do salário mínimo também influencia o salário médio da população e fortalece o poder de compra dos trabalhadores, gerando efeitos indiretos no consumo e na economia do país.
Pesquisas apontam que o salário mínimo deveria ser maior
Apesar do reajuste projetado pelo governo, pesquisas do Dieese mostram que o salário mínimo ainda está muito distante do valor necessário para assegurar uma vida digna aos trabalhadores.
Em setembro de 2025, o Dieese calculou que o salário mínimo deveria ser de R$ 7.075,83 para garantir as necessidades básicas de uma família, como alimentação, moradia, saúde, vestuário, transporte, lazer e educação.
Além disso, esse cálculo leve em conta o custo da cesta básica nacional, que registrou alta em diversas capitais ao longo de 2024.
Por outro lado, cada reajuste no salário mínimo eleva significativamente as despesas públicas.
Isso porque, diversos benefícios, como aposentadorias, BPC e outros, são diretamente vinculados ao piso nacional.
De acordo com o governo federal, cada R$ 1 de aumento no salário mínimo gera um impacto adicional de cerca de R$ 430 milhões nas contas do governo.
Esse efeito mostra a necessidade da União em equilibrar o reajuste do mínimo com as metas do arcabouço fiscal e com o crescimento da arrecadação.
