Record paga indenização a jornalista da Globo, após acusá-lo de ser espião da CIA

17/03/2015 às 13:00 · Tempo de leitura: 3 minutos

William Waack comanda o "Jornal da Globo" (Foto:Divulgação)

William Waack vence Record na Justiça e receberá indenização (Foto: Reprodução/ Globo)

Apresentador do “Jornal da Globo”, William Waack receberá em breve uma indenização da Record, após vencer processo na Justiça. No início deste mês, a Record depositou na Justiça de São Paulo o valor de R$ 82.880,98 para cumprir sentença que a condenou a indenizar o jornalista global.

Isso porque em outubro de 2011, a rede de Edir Macedo publicou em seu portal de notícias, o R7, a falsa notícia de que Waack seria agente da CIA, a central de inteligência dos Estados Unidos, e atuaria como espião para o governo norte-americano. Nos tribunais, William Waack alegou ter sofrido “dissabores” por causa da nota publicada.

O resultado disso tudo é que a Record foi condenada a indenizar Waack ainda em novembro de 2012, um ano depois da publicação, no entanto, a emissora recorreu ao Tribunal de Justiça de São Paulo. Porém, o TJ-SP confirmou a sentença original. Em fevereiro, atualizou o valor da indenização e o cobrou da emissora. O pagamento da Record foi registrado no último dia 04 pelo sistema de acompanhamento processual do TJ, mas Waack ainda não recebeu o dinheiro.

“Ocorre que restou comprovado que inexiste qualquer documento do Wikileaks apontando o autor [Waack] como informante dos EUA, como infiltrado da CIA e outros fatos ofensivos que foram dirigidos ao jornalista William Waack”, constatou na sentença o juiz Vitor Frederico Kümpel, da 27ª Cível de São Paulo.

A Record, por sua vez, argumentou em sua defesa na justiça que reproduziu a opinião de um economista e que se amparava no princípio constitucional da liberdade de expressão. Afirmou que o texto causou apenas meros aborrecimentos a Waack.

O jornalista da Globo então questionou a afirmação dizendo que a publicação do portal da Record lhe causou “dissabores” nas Forças Armadas, onde colabora com palestras sobre defesa nacional, e numa universidade particular de São Paulo em que atua como professor de relações internacionais. “Os pais dos alunos procuraram a direção da instituição perguntando se um espião dava aula para os jovens”, disse Waack à Justiça.

Na sentença, o juiz considerou que o direito à liberdade de expressão não pode sobrepor o da honra. Concluiu que Waack foi “vítima de informações falsas e levianas, notadamente vindo de uma emissora televisiva concorrente da Rede Globo, para quem o autor trabalha”. Com o pagamento da indenização a William Waack, o processo será extinto.

As informações são do jornalista Daniel Castro.

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