Rede de supermercados com mais de 100 anos entra com pedido de falência alegando “impossível continuidade” e surpreende

Durante décadas, empresas antigas ajudaram a construir a economia do Brasil. Elas geraram empregos, movimentaram cidades e fizeram parte da rotina de muitas famílias. Contudo, para a tristeza do setor supermercadista, uma dessas histórias acabou chegando ao fim com a falência de uma rede.

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O Grupo Breithaupt, criado em 1926 em Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, pediu falência após mais de 100 anos de atuação. A informação foi divulgada pelo portal NSC Total e confirma o encerramento de uma trajetória longa no varejo catarinense.

Ao longo dos anos, o grupo cresceu e atuou em várias áreas. Teve supermercados, lojas, home centers de material de construção, lojas de móveis e até shopping. Por muito tempo, o nome Breithaupt foi comum no dia a dia de milhares de pessoas da região.

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Expansão e mudanças ao longo dos anos

Mesmo com tantas mudanças no mercado, a empresa conseguiu se manter ativa por décadas. Em 2013, vendeu suas unidades de supermercado para a Cooper. Em 2016, o shopping do grupo passou para o controle do Grupo Tenco. Depois disso, ainda inaugurou um home center em Timbó, em 2015, e abriu uma nova loja em Joinville, em 2018.

Apesar dos esforços, a situação financeira foi piorando. Em setembro de 2025, o grupo entrou com pedido de autofalência. A empresa informou que não tinha mais condições de cumprir o plano de recuperação judicial que havia sido apresentado anteriormente.

As dívidas chegaram a cerca de R$ 35 milhões. Além disso, o grupo acumulava um prejuízo mensal de aproximadamente R$ 165 mil. Dois fundos de investimento chegaram a prometer um aporte de R$ 1,8 milhão, mas o dinheiro nunca entrou em caixa, o que agravou ainda mais a crise.

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Pedido de falência e declaração à Justiça

Antes de tomar a decisão final, a empresa tentou várias alternativas. Reduziu gastos, renegociou contratos, vendeu ativos e buscou reconquistar clientes. Mesmo assim, segundo a própria direção, “os efeitos práticos foram insuficientes diante do cenário adverso enfrentado”.

No pedido enviado à Justiça em setembro de 2025, o grupo foi direto ao falar sobre a situação. Em um dos trechos, afirmou: “Admitimos a completa impossibilidade de cumprimento do plano de recuperação judicial e a impossível continuidade das atividades diante de uma inviabilidade econômica, financeira e patrimonial do negócio.”

A empresa explicou que o encerramento das atividades foi uma forma de evitar que as dívidas crescessem ainda mais e de tentar proteger credores, funcionários e parceiros.

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Até junho de 2025, o Grupo Breithaupt ainda mantinha apenas três unidades em funcionamento, com 22 funcionários. O faturamento mensal girava em torno de R$ 475 mil, mas as dívidas fora da recuperação judicial cresceram quase 50% nesse período.

No dia 06 de outubro a rede publicou um comunicado oficial nas redes sociais; veja

“Nos últimos anos, enfrentamos grandes desafios econômicos e estruturais, e apesar de todos os esforços para reverter esse cenário, chegamos ao momento em que a decisão mais responsável é o encerramento das atividades.

Essa decisão foi tomada com profundo senso de responsabilidade e transparência, honrando a história e as pessoas que fizeram parte dessa jornada. Agradecemos imensamente a todos os clientes, colaboradores, fornecedores e parceiros que estiveram conosco ao longo de todos esses anos.

O legado construído permanece vivo na lembrança e na contribuição que o Grupo Breithaupt deixa para o setor e para a região.”

Qual a diferença entre falência e recuperação judicial?

Conforme o portal ‘Vem Pra Dome’, ambos os institutos visam a satisfação de dívidas de uma empresa. Contudo, a principal diferença está na continuidade ou não do empreendimento. No caso da recuperação judicial, se ganha tempo para recuperar a capacidade de gerar resultados na empresa.

Por outro lado, na falência, não existe a reestruturação e o negócio acaba fechando as portas. A recuperação judicial visa manter o negócio ativo, gerando empregos e possibilitando que a empresa pague as suas dívidas. Na outra, ocorre o encerramento, sendo considerado irrecuperável.

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