Rede de supermercados fecha 343 unidades no Brasil e pega clientes de surpresa

Rede gigantesca de supermercados no Brasil passa por crise, fecha unidades em massa e surpreende consumidores com viradas.

09/06/2025 às 08:48 · Tempo de leitura: 10 minutos

Supermercado passa por crise e corre sérios riscos (Foto Reprodução/Montagem/Lennita/Canva/Maps/Freepik)

Rede gigantesca de supermercados no Brasil passa por crise, fecha unidades em massa e surpreende consumidores com viradas

Uma rede gigante de supermercados, considerada uma das mais relevantes do varejo alimentar popular no Brasil, enfrentou entre 2024 e 2025 uma das fases mais desafiadoras desde que desembarcou no país em 2001.

Trata-se do Dia Brasil, que ao executar o fechamento de 343 lojas, surpreendeu milhares de clientes e fornecedores no Brasil inteiro.

No entanto, esse movimento fez parte da sua reestruturação estratégica e a empresa tenta agora reconstruir sua imagem e recuperar espaço num setor cada vez mais competitivo.

Sendo assim, com base em informações do Valor Econômico, Folha de S.Paulo e o site oficial da empresa, a equipe especializada em economia do TV Foco traz abaixo mais detalhes sobre esse adeus.

Dia Brasil (Foto Reprodução/G1)

Março de 2024: Crise financeira e encerramento de centenas de unidades

Em 21 de março de 2024, o Dia Brasil entrou com pedido de recuperação judicial, informando dívidas de aproximadamente R$ 1,1 bilhão.

A decisão veio na esteira de resultados financeiros negativos acumulados ao longo de anos. Como parte do plano de contenção de perdas, a rede:

  • Fechou 343 lojas;
  • Encerrou três centros de distribuição;
  • Decidiu manter sua operação concentrada no estado de São Paulo, onde preservou 244 unidades.

A empresa ainda justificou a medida como um passo necessário para concentrar seus recursos em mercados com maior retorno, sobretudo diante da pressão da:

  • Inflação de alimentos;
  • Guerra de preços no varejo alimentar;
  • Crescente concorrência com atacarejos, como Atacadão e Assaí.

Assim, a direção avaliou que a concentração geográfica facilitaria a gestão logística e reduziria custos operacionais.

Dia Brasil manteve suas operações em São Paulo (Foto Reprodução/Giro News)

Maio de 2024: Venda da operação brasileira por valor simbólico

Dois meses após o pedido de recuperação, o grupo espanhol vendeu sua operação no Brasil à gestora MAM Asset Management, ligada ao Banco Master, pelo valor simbólico de 100 euros.

Apesar do valor irrisório, o negócio incluiu um aporte de 39 milhões de euros, feito pelo próprio grupo Dia antes da conclusão do processo.

A venda foi parte de uma estratégia mais ampla da matriz para se desfazer de ativos considerados pouco rentáveis e concentrar suas energias em mercados-chave, como Espanha e Argentina.

O impacto da operação foi absorvido pela controladora na Europa, que reconheceu o fracasso na tentativa de expandir sua atuação na América Latina além do eixo argentino.

Reforma e reestruturação em São Paulo:

Com nova gestão, o Dia Brasil adotou um plano de reestruturação focado nas lojas remanescentes no estado de São Paulo.

Foram investidos cerca de R$ 20 milhões em reformas estruturais e logísticas.

As melhorias incluíram:

  • Novas fachadas;
  • Iluminação mais eficiente;
  • Reorganização das gôndolas;
  • Além de novos carrinhos e cestinhas para compras.

Além disso, a rede centralizou suas operações logísticas no centro de distribuição de Osasco, desativando outras bases para otimizar abastecimento e garantir frescor diário nos produtos.

Marca própria do Dia Brasil- Melhor A Cada Dia (Foto Reprodução/DIA)

O modelo passou a valorizar o conceito de proximidade, que sempre esteve no DNA da marca.

De acordo com o CEO Fábio Farina, a decisão de manter apenas as lojas com bom desempenho foi estratégica:

“Montamos um Dia menor, porém mais eficiente. Com abastecimento diário e foco no frescor, fortalecemos nosso diferencial”

A aposta na marca própria “Melhor A Cada Dia” também se intensificou:

  • Com mais de mil itens, a linha inclui produtos importados como azeites portugueses, geleias argentinas e massas italianas.
  • Todos passam por testes laboratoriais;
  • O foco está em oferecer qualidade a preços mais acessíveis, prática que a gestão considera crucial para se manter competitiva em meio aos atacarejos.

“Atacadinho de bairro”

Ainda em 2024, já sob nova direção, o Dia também lançou o modelo “atacadinho de bairro” — um novo formato de loja menor, com perfil híbrido entre supermercado de proximidade e atacarejo leve.

A proposta é atender regiões densamente povoadas, oferecendo preços agressivos em itens essenciais, mas mantendo a conveniência típica do varejo de bairro.

A empresa testou o modelo em unidades reformadas da capital paulista e prevê expansão conforme o desempenho.

Como está o Dia Brasil em 2025?

No fim de 2024, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) autorizou a compra do Dia Brasil pelo fundo Arila, controlado pelo empresário Nelson Tanure.

A operação transferiu o controle acionário da rede, até então sob gestão da MAM Asset, para um investidor já conhecido por atuar em processos de recuperação de empresas.

A expectativa é que o plano de recuperação judicial seja concluído ainda neste ano de 2025, após homologação judicial e aprovação da assembleia de credores.

Até lá, a empresa mantém o foco na operação enxuta, nas lojas reformadas e na expansão do novo modelo de loja compacta e agressiva em preço.

Conclusão:

Em suma, o Dia Brasil passou por uma das reestruturações mais profundas do varejo nacional. Enfrentou dívidas bilionárias, fechou centenas de lojas e vendeu sua operação brasileira.

Sob nova gestão, investiu na modernização de unidades e lançou um modelo de loja mais competitivo.

Agora, em 2025, tenta se consolidar como um varejista ágil, centrado em São Paulo, e aposta na combinação entre proximidade, qualidade e preço para recuperar sua relevância no setor.

Mas, para saber mais sobre essas histórias como essa, retomadas e muito mais, clique aqui*.

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