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Uns amam, outros odeiam, mas ninguém fica indiferente às caras e bocas de Regina Duarte em “O Astro”. A prova disso são os comentários dos leitores do blog e os e-mails que chegam diariamente. A novela das 23h permite — e até exige — um tipo de construção over, a léguas e léguas do naturalismo. Isso é extensivo ao cenário e aos figurinos. E a Clô de Regina é a maior expressão desses exageros propositais. Tanto ela quanto Humberto Martins (o Neco), entregues aos seus personagens, vêm se mostrando capazes de carregar nas tintas.
Dia desses, um amigo da coluna chamou esta pegada mexicana pejorativamente de “pobres recursos dramático-faciais”. Acho que este amigo pode ter uma certa razão: de alguns capítulos para cá, os dois atores vêm se arriscando mais do que deveriam na novela de Geraldo Carneiro e Alcides Nogueira. É preciso modular e a missão não é moleza. Mas basta lembrar que “O Astro” é um drama carregado, não uma comédia. Trata-se do mais reluzente cristal japonês levado a sério, como se fosse assunto de estado.
Falando em modulações, critiquei aqui o desempenho de Christiane Torloni em “Fina estampa”. Ela é uma ótima atriz e isso nem foi questionado, mas sua Teresa Cristina andou exagerada. Nos capítulos mais recentes, Torloni baixou o tom e está muito melhor. Os conflitos da perua com a filha ganharam uma densidade que estava diluída na falta de medida. É este mesmo o caminho para a sintonia fina.
Com informações de Patrícia Kogut