Aproveitando o sucesso de regravações como Gabriela, e a mais recente notícia de que, em breve, veremos uma nova versão da clássica e surreal “Saramandaia”, a coluna Último Capítulo de hoje abre espaço para essas histórias de ontem, repaginadas para o público de hoje. Os remakes são exemplos da atemporalidade de determinados folhetins, bem como de sua capacidade de dialogar com públicos de diferentes épocas e tendências.
Regravar histórias significa reutilizar fórmulas de sucesso do passado com uma nova roupagem, e a preocupação de atender a um novo público. Se antes as tramas poderiam segurar a resolução de conflitos e segredos por um longo período, sem que houvessem grandes revelações e reviravoltas, as chamadas “barrigas”, hoje, um bom autor é rapidamente identificado pela agilidade na condução dos acontecimentos. Cada capítulo deve ter, ou ao menos aparentar, a cara de último capítulo, e ainda acrescentar novos mistérios e surpresas.
Ao mesmo tempo em que investe na formação de novos autores, como João Emanuel Carneiro (Avenida Brasil), Felipe Miguez (Cheias de Charme), Lícia Manzo ( A Vida da Gente) e a dobradinha Thelma Guedes e Duca Rachid (Cama de Gato e Cordel Encantado), a emissora dos Marinho não abandona por completo as referências de seu passado, resgatando êxitos e revivendo personagens de grande importância na história da Dramaturgia. Porém, claro, atualmente desfrutando de significativo equipamento tecnológico e maturidade na produção de telenovelas.
VER DE NOVO, E DE NOVO…
E o sucesso em rever tais tramas é comprovado também em reprises. O tradicional “Vale a pena ver de novo” ainda gera repercussão, mesmo quando exibe produções ainda frescas na memória dos telespectadores como “Chocolate com Pimenta”, novela cuja combinação de intrigas e romances açucarados, misturados com altas doses de humor pastelão na maioria das cenas, gerou uma fórmula capaz de sobreviver a três exibições em pouquíssimo espaço de tempo entre elas. Reflexo da direção de Jorge Fernando e o texto de Walcyr Carrasco.
Em 2004, a Rede Record entra na onda dos remakes e lança sua própria versão de “A Escrava Isaura”, então sob autoria de Tiago Santiago e Anamaria Nunes. A nova adaptação fez a emissora dar um salto na audiência, tendo marcado 10 pontos de média e picos de 23 em seu último capítulo. Outras regravações de sucesso marcaram os anos 2000, como Ti Ti Ti, Cabocla, Sinhá Moça e O Astro.
Para os mais velhos e saudosos, os remakes trazem de volta temas e personagens queridos, tornando-se uma oportunidade de reviver momentos de bom entretenimento e saborosas memórias. Para os mais novos, ver pela primeira vez essas histórias pode ser a chance de compreender o passado, outros tempos da dramaturgia, e conhecer um pouco mais acerca da trajetória da televisão brasileira. Mas não se engane aquele que pensa haver grande diferença entre o ontem e o hoje: as maldades dos vilões são basicamente as mesmas e os romances também – elementos de todo folhetim, apreciados por distintas gerações.
Pois é, os remakes são prova de que o Era Uma Vez pode ser transformado, perfeitamente, em Eram Duas Vezes…
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