Risco de falência e mais de R$2B em dívidas: Gigante do café agoniza durante a gestão Zema em MG
Gigante do café de MG com R$ 2,13 bi em dívidas pede RJ; Entenda a crise, o impasse dos ACCs e os riscos de falência.
Gigante do café apela contra a falência (Foto Reprodução/Canva/Lennita/Tv Foco/GMN)
Gigante do café de MG com R$ 2,13 bi em dívidas pede RJ; Entenda a crise, o impasse dos ACCs e os riscos de falência
A crise financeira que atinge o agronegócio mineiro expõe um dos maiores gigantes do café a uma situação agonizante, a qual se arrasta desde meados de 2021.
Trata-se do Grupo Montesanto Tavares (GMT), uma exportadora mineira de café arábica do Brasil, a qual acumula dívidas em mais de R$ 2 bilhões, mais especificamente R$ 2,13 bilhões.
Pode-se dizer que o conglomerado se afunda na pior crise de sua história. O desdobramento e a judicialização deste colapso ocorrem integralmente durante a atual gestão estadual de Minas Gerais (MG).
O que imprime um contraste na administração de Romeu Zema (Novo) no estado.
De acordo com o portal AG Feed, o GMT buscou o auxílio da Justiça com um “pedido de socorro” formalizado em 25 de fevereiro de 2025, por meio de uma Recuperação Judicial (RJ) e desde então o risco de falência o assombra.
Entretanto, a Justiça mineira autorizou o processo em 19 de março do mesmo ano, determinando a suspensão de execuções e abrindo o caminho para uma profunda reestruturação.
Mas, o que aconteceu?
Conforme citamos acima, a crise que ameaça a Montesanto começa com uma fatídica conjugação de eventos naturais e econômicos;
Veja abaixo a linha do tempo do ocorrido:
- 2021/2022: O ponto de inflexão ocorre com a safra entre esses dois anos. Eventos climáticos extremos, como geada, seca e granizo, devastaram cerca de 24 milhões de sacas de café no sul de Minas Gerais;
- A catástrofe obrigou o grupo a comprar café no mercado à vista, a preços inflacionados, para cumprir contratos de exportação já firmados, comprometendo drasticamente o seu caixa;
- O desequilíbrio forçou o grupo a recorrer a Adiantamentos sobre Contrato de Câmbio (ACCs) e derivativos. Os compromissos com derivativos, que eram de R$ 50 milhões em maio de 2024, saltaram para R$ 470 milhões em novembro de 2024, levando o grupo ao pedido de RJ em fevereiro de 2025.
Manifestações:
Em sua defesa perante a Justiça, a empresa expôs as alegações que agravam sua situação financeira.
Em suma, esse rombo veio, em grande parte, do descumprimento de contratos por produtores rurais.
A empresa alegou que agricultores deixaram de entregar mais de 700 mil sacas de café, vendidas antecipadamente entre 2021 e 2023 por valores entre R$ 600 e R$ 700, e optaram por negociar os lotes no mercado à vista por valores que superavam R$ 2.000.
Esse rombo obrigou a empresa a desembolsar R$ 1,6 bilhão para recomprar o produto e honrar contratos internacionais, uma manobra que se tornou inviável, conforme exposto pelo portal Compre Rural.
Diante disso, a empresa abriu processos contra os agricultores.
Uma decisão recente
Ainda de acordo com o portal mencionado, a controvérsia mais espinhosa envolve a inclusão de R$ 470 milhões em ACCs na Recuperação.
Tradicionalmente, esses créditos, espécie de empréstimo antecipado em dólar quitado com exportações futuras, ficam fora do escopo da recuperação judicial.
A Montesanto argumenta que parte desses ACCs perdeu o vínculo com exportações reais, já que o café original nunca foi embarcado. Portanto, esses valores deveriam ser tratados como dívidas comuns e incluídos na RJ.
Mas a Justiça de Minas havia permitido, de forma provisória, a inclusão desses valores, o que provocou forte reação dos bancos, travando o andamento do processo desde agosto de 2025.
Vale dizer que o Banco do Brasil lidera a lista de credores com R$ 742 milhões da dívida total.
No dia 8 de outubro de 2025, o juiz Murilo Silvio de Abreu, da 2ª Vara Empresarial de Belo Horizonte, determinou o avanço da RJ, mesmo sem uma definição final sobre o impasse dos ACCs.
Ele reconheceu que o conflito se agravou e tornou inviável uma solução consensual, decidindo que o processo não poderia mais ficar parado:
“Diante da escalada (desnecessária) do conflito nos presentes autos, no tocante aos ACCs, é preciso pontuar e decidir o que segue.”
Mas o Grupo Montesanto Tavares tem chances de sobreviver?
Com a decisão de outubro, o Grupo Montesanto Tavares entra na fase de verificação de créditos.
Os administradores judiciais devem publicar o edital que abre prazo para que os credores confirmem ou contestem os valores devidos.
O processo segue para a Assembleia Geral de Credores, que votará o Plano de Reestruturação.
A empresa precisa garantir que as unidades em Patrocínio e Varginha continuem operando, como já atestou o laudo pericial.
Entretanto, o GMT mantém o fôlego jurídico, especialmente após a decisão que permitiu a inclusão dos ACCs, mesmo que provisoriamente.
Porém, a sua sobrevivência depende da aprovação do Plano de Recuperação pela maioria dos credores.
A crise ultrapassou os muros da empresa, e o desfecho desse processo pode afetar a sustentabilidade de uma parte importante do setor cafeeiro mineiro.
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