Adeus ao Shopping Del Rey: Fechamento de varejista abala clientes em MG em 2026

Shopping Del Rey entra em clima de despedida após fechamento de varejista que surpreende clientes e movimenta Minas Gerais em 2026

13/05/2026 às 23:40 · Tempo de leitura: 8 minutos

Loja e Shopping é fechada - Foto: Montagem

Shopping Del Rey entra em clima de despedida após fechamento de varejista que surpreende clientes e movimenta Minas Gerais em 2026

O fechamento em sequência de lojas da tradicional Itapuã Calçados em Minas Gerais transformou uma rotina comum de compras em um cenário de surpresa, incerteza e preocupação para milhares de consumidores em 2026. O impacto ficou ainda maior porque boa parte dessas unidades funcionava em pontos comerciais e shoppings conhecidos de Belo Horizonte e da região metropolitana, locais que durante anos fizeram parte da rotina de clientes que buscavam calçados, acessórios e facilidades de pagamento.

Quando placas de encerramento começaram a aparecer quase ao mesmo tempo em centros comerciais importantes, muitos consumidores imaginaram se tratar de uma ação pontual, alguma reforma temporária ou mudança de endereço. No entanto, o que parecia isolado rapidamente se mostrou parte de uma mudança muito mais ampla.

Shopping e loja fechada (Fotos: Reproduções / Freepik / Internet)

Em poucos meses, mais de 90% das operações físicas da rede em território mineiro deixaram de funcionar, levantando dúvidas sobre o futuro da marca no estado e sobre a força do varejo tradicional diante das transformações do mercado. O caso ganhou repercussão porque a empresa possui quase sete décadas de atuação no setor e sempre construiu uma imagem ligada à tradição, ao atendimento presencial e à presença forte em regiões estratégicas.

Ao mesmo tempo, clientes passaram a relatar dificuldades para concluir compras, acessar serviços digitais e obter respostas da empresa, o que ampliou ainda mais a repercussão do caso.

Lojas fechadas em Shoppings

A onda de fechamentos começou oficialmente em fevereiro de 2026. Naquele momento, unidades localizadas em centros comerciais conhecidos de Belo Horizonte anunciaram quase de forma simultânea o encerramento das atividades. Entraram na lista lojas instaladas no Shopping Del Rey, no Shopping Cidade, no ViaShopping, no Shopping Contagem e no Minas Shopping.

Pouco tempo depois, em março, a unidade do Barreiro também encerrou as operações. Em abril, foi a vez da tradicional loja da rua Carijós, localizada no Centro da capital mineira, fechar definitivamente as portas. Com isso, restou em funcionamento apenas uma unidade em Minas Gerais, localizada na avenida Afonso Pena, também em Belo Horizonte.

A própria página institucional da empresa ainda mostra esse endereço como ativo, enquanto as demais lojas do estado desapareceram da operação comercial. Fora de Minas, a marca continua mantendo unidades em estados como Rio de Janeiro e Espírito Santo.

A mudança pegou clientes de surpresa principalmente porque não houve um anúncio público amplo explicando de forma detalhada os motivos dessa reestruturação. Em vez disso, consumidores passaram a descobrir o fechamento quando chegavam até as lojas ou tentavam contato por canais digitais. Em plataformas públicas de reclamação, começaram a surgir relatos de pedidos cancelados mais de uma vez, cobranças em aberto, dificuldade para gerar boletos e até receio de negativação do nome.

Vale explicar um termo que costuma gerar dúvida: negativação acontece quando uma dívida em aberto é registrada em órgãos de proteção ao crédito, como serviços de análise financeira usados por bancos e lojas. Quando isso ocorre, o consumidor pode encontrar mais dificuldade para conseguir empréstimos, financiamentos ou até aprovações simples de compras parceladas.

Problemas enfrentados

Entre os relatos publicados por consumidores, uma cliente afirmou que tentou acessar o site e o aplicativo para quitar um boleto, mas não conseguiu concluir o processo. Outro consumidor relatou que realizou uma compra, recebeu a informação de cancelamento, refez o pedido com novo valor e, mesmo assim, teve a segunda operação cancelada. Muitos desses produtos, segundo os próprios relatos, seriam usados em eventos e compromissos pessoais, o que aumentou ainda mais a frustração.

Shopping Del Rey MG (Foto: Reprodução)

Enquanto clientes buscavam respostas, especialistas do setor varejista passaram a analisar o movimento. Segundo avaliações publicadas na imprensa especializada, o fechamento em massa não parece representar necessariamente o fim da empresa, mas sim uma mudança de estratégia. O foco estaria na redução de custos fixos e no fortalecimento do ambiente digital. Em outras palavras, a marca estaria concentrando esforços no comércio eletrônico.

O e-commerce, termo muito usado no mercado, significa simplesmente comércio realizado pela internet, seja por site, aplicativo ou plataformas digitais. Nesse modelo, a empresa reduz despesas com aluguel de lojas, estoque distribuído em vários pontos físicos e equipes presenciais maiores.

Especialistas também apontaram que a operação física se tornou mais cara nos últimos anos. Manter lojas em shoppings envolve aluguel elevado, pagamento de condomínio, contas operacionais, folha salarial e necessidade constante de giro de estoque.

Quando as vendas presenciais perdem força diante do avanço das compras online, muitas redes passam por reestruturações para preservar caixa e manter a competitividade. No caso da Itapuã, esse movimento ganhou força especialmente em Minas Gerais, onde, segundo análises do setor, o desempenho estaria abaixo de outras regiões atendidas pela empresa.

Mesmo com a redução drástica das lojas mineiras, a empresa continua ativa. O site oficial segue funcionando, assim como canais de relacionamento e vendas digitais. A companhia também mantém presença institucional, destacando quase 70 anos de história e atuação nacional em diferentes modelos de negócio, incluindo varejo tradicional e operação B2B. Esse termo, bastante usado no setor empresarial, significa “business to business”, expressão em inglês usada para definir operações feitas entre empresas, e não diretamente para o consumidor final. Isso mostra que a rede ainda possui outras frentes comerciais além das lojas físicas conhecidas pelo grande público.

Para os consumidores mineiros, porém, o sentimento dominante ainda é de surpresa. Durante décadas, a presença da Itapuã fez parte da paisagem comercial de Belo Horizonte e de cidades próximas. O fechamento repentino de praticamente toda a operação física no estado não mexeu apenas com hábitos de consumo, mas também com a percepção de estabilidade de grandes marcas tradicionais.

Em um momento em que o varejo brasileiro enfrenta mudanças rápidas no comportamento do consumidor, a história da Itapuã em Minas pode representar muito mais do que o fechamento de lojas. Ela pode simbolizar uma nova fase do comércio nacional, em que tradição sozinha já não garante permanência, e adaptação passou a ser uma questão de sobrevivência.

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