Shopping popular do Brasil afunda em uma dívida, perde o imóvel e enfrenta a falência depois de anos de dificuldades
O antigo Shopping Center Matarazzo marcou o comércio da zona oeste de São Paulo durante quase três décadas. Inaugurado em 1975, o empreendimento enfrentou queda no movimento, dívidas milionárias, leilão e uma disputa judicial envolvendo um supermercado.
Em 1996, uma dívida de ICMS colocou o imóvel no centro de uma execução fiscal. No ano seguinte, o shopping foi leiloado por R$ 18,5 milhões e adquirido pelo Grupo Zaffari.
O começo de uma história marcante
Localizado na região da Pompeia, o Matarazzo surgiu inicialmente como um strip center. O modelo reunia um supermercado como atração principal e diversas lojas menores no mesmo espaço.

Na época, o Jumbo Eletro funcionava como principal âncora comercial. Além disso, uma unidade do McDonald’s instalada junto ao estacionamento tornou-se outro ponto conhecido pelos frequentadores.
Durante anos, o empreendimento ajudou a movimentar bairros próximos, como Perdizes, Água Branca e Barra Funda. Entretanto, o cenário comercial mudou significativamente durante a década de 1990.
Concorrência e perda de movimento
Em 1991, o Shopping West Plaza abriu na mesma região e aumentou a concorrência pelo público. Paralelamente, o fechamento do Jumbo Eletro afetou uma das principais atrações do Matarazzo.
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Os administradores tentaram recuperar os consumidores com novas iniciativas. O shopping recebeu uma praça de alimentação e uma pista de patinação da Maxi-Roller, com 240 metros quadrados.
Mesmo assim, as mudanças não conseguiram reverter a perda de movimento. Enquanto isso, as dificuldades financeiras das empresas ligadas ao grupo Matarazzo avançavam.
R$ 45 milhões
O empresário francês Alex Allard, idealizador do Cidade Matarazzo, colocou uma nova pressão financeira no nome Matarazzo agora em 2026, para manter sua participação no complexo de luxo em São Paulo.
Segundo a Veja, ele acumulou R$ 45 milhões em parcelas não pagas de um financiamento de R$ 335 milhões contratado com o Banco Master, em janeiro de 2024. O contrato previa 36 parcelas mensais, após dois anos de carência, com os pagamentos começando em fevereiro de 2026.
A situação, porém, é contestada pela defesa de Allard. Em fevereiro, o advogado do empresário afirmou à Folha que não existiam valores vencidos ou inadimplidos e atribuiu os problemas ao processo de liquidação do Banco Master.
Disputa com o supermercado Sonda
A mudança de propriedade desencadeou outra batalha judicial. O supermercado Sonda ocupava uma das lojas do antigo shopping e contestou a ordem de despejo apresentada pelos novos proprietários.
Em 2002, o Superior Tribunal de Justiça registrou que o Sonda conseguiu suspender temporariamente a ordem de despejo. A empresa alegava possuir contrato de locação registrado e cláusula de vigência mesmo após a venda do imóvel.
O caso envolvia ainda investimentos realizados pelo supermercado na unidade. Segundo o registro do STJ, a empresa alegava ter aplicado R$ 15 milhões nas instalações e possuir cerca de R$ 7 milhões em estoque.

O fim do antigo shopping
Por fim, a disputa não impediu a transformação definitiva do terreno. Depois do encerramento das atividades, a antiga estrutura foi demolida para dar lugar a um novo empreendimento comercial.
Além disso, o Grupo Zaffari construiu no local o Bourbon Shopping São Paulo. O novo shopping encerrou definitivamente a história do antigo Matarazzo ao inaugurar suas instalações em março de 2008.
Assim, o antigo Shopping Center Matarazzo deixou de existir após uma sequência de dificuldades financeiras, perda de público, leilão e disputas judiciais. O terreno, porém, continuou ligado ao comércio e passou a abrigar o Bourbon Shopping.
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Autor(a):
Wellington Silva
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