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O caso Rafinha e Cqc não é de agora. Já vimos demonstrações de irritação por parte do humorista. Vimos programa onde, no final, ao invés de abanos, ele levantou e se retirou rapidamente. Em outras ocasiões não se despediu colocando os tradicionais óculos escuros.

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A impressão passada por ele é de se sentir incomodado com o jeito passional dos companheiros de bancada. Pessoalmente não vejo Tas ou Luque como passionais, mas há uma grande diferença entre as piadas e deboches deles quando comparados com as participações de Rafinha.

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Este puxa mais para o estilo stand up, onde as anedotas não querem fronteiras. Tanto faz se o assunto é pedofilia, religião, política, o importante é ir além da linha amarela, mesmo se o trem já está se aproximando. O foco deste tipo de comédia é romper com os cômodos e respeitosos marcos limítrofes da cultura social.

Você deve lembrar da reportagem de Rafinha onde viajou até os EUA para jogar na cara dos americanos que os quase 3 mil mortos no WTC não eram nada se comparados com os mais de 100 mil mortos no Afeganistão. Devem lembrar das várias visitas dos Cqcs nas prefeituras do interior debochando da má vontade de prefeitos e funcionários públicos, devem lembrar da surra de Gentili quando mostrando o risco das crianças em uma escola. O grupo stand up surgiu justamente na hora em que a onda do politicamente correto está assumindo posições exageradas.

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Não é nada agradável ver nossa família impressionada com gente dizendo que vai pegar uma criancinha, é necessário freio mas não censura. O freio deve vir do próprio humorista, deve surgir da consciência de que, estando diante da tv, ele precisa estudar o tema com mais cuidado. Quem vai ao show stand up é selecionado já na própria opção de ter escolhido este tipo de apresentação. Stand up na tv é algo bem diferente.

@cleomarsantos

 

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