Simone Tebet detalha impacto bilionário e defende redução de benefícios para grupos específicos em meio a pressão por ajuste fiscal
O alerta sobre um possível rombo bilionário nas contas públicas voltou ao centro do debate econômico após declarações recentes de Simone Tebet. A ex-ministra do Planejamento afirmou que a situação fiscal do país atingiu um nível crítico e exigiu medidas imediatas para evitar o agravamento do desequilíbrio.
Durante entrevista ao programa Amarelas On Air, da revista Veja, Simone Tebet resumiu o cenário com uma frase direta e forte: “A água bateu no nariz”. A declaração indicou que o governo já enfrenta dificuldades para manter as contas equilibradas e que o espaço para adiar decisões praticamente desapareceu.
Na mesma entrevista, Simone Tebet reforçou que o ajuste fiscal não é mais uma escolha política, mas uma necessidade urgente. Ela afirmou: “Ou se faz o ajuste fiscal, ou se faz o ajuste fiscal”. Com isso, deixou claro que não existem alternativas fáceis diante do cenário atual. O termo ajuste fiscal pode gerar dúvida em parte dos leitores.

Na prática, ele significa um conjunto de medidas para equilibrar as contas do governo, reduzindo gastos ou aumentando receitas. Esse equilíbrio é importante porque evita o crescimento excessivo da dívida pública e ajuda a manter a economia estável, com inflação controlada e juros mais previsíveis.
A proposta defendida por Simone Tebet segue um caminho que tenta evitar o aumento de impostos. Em vez disso, ela sugere revisar gastos e benefícios fiscais. Benefícios fiscais são incentivos concedidos pelo governo, como redução ou isenção de impostos para empresas ou setores específicos.
Esses incentivos costumam ser criados para estimular áreas da economia, mas nem sempre continuam fazendo sentido ao longo do tempo. Segundo a ex-ministra, muitos desses benefícios ainda existem mesmo após perderem sua justificativa inicial.
Atualmente, esses chamados gastos tributários chegam a cerca de R$ 600 bilhões por ano. Esse valor representa o quanto o governo deixa de arrecadar por causa de isenções e incentivos. Diante desse número elevado, Tebet propôs um corte gradual de parte desses benefícios. A ideia é reduzir cerca de 10% ao ano desses incentivos considerados desnecessários. Esse movimento geraria uma economia relevante já no curto prazo.
Detalhes dados por Simone Tebet
A estimativa apresentada por Simone Tebet mostra o impacto direto dessa medida. No primeiro ano, o corte de 10% poderia gerar uma economia de aproximadamente R$ 60 bilhões. No segundo ano, esse valor poderia dobrar, chegando a R$ 120 bilhões, caso novos cortes sejam aplicados.
um período de quatro anos, o efeito acumulado aumentaria a arrecadação sem a necessidade de criar novos impostos. A estratégia, segundo Tebet, corrige distorções ao retirar benefícios de grupos que já não precisam desse tipo de apoio estatal.
Outro ponto importante defendido pela ex-ministra envolve a regra fiscal atual. Ela sugeriu que o governo limite seus gastos a, no máximo, 70% do crescimento da receita. Em termos simples, isso significa que, quando o governo arrecadar mais, não poderá gastar tudo. Parte desse aumento deve ser direcionada para reduzir a dívida pública. Essa lógica busca evitar que o crescimento da arrecadação leve automaticamente ao aumento descontrolado de despesas.
O debate sobre ajuste fiscal costuma gerar preocupação, principalmente quando envolve possíveis cortes. No entanto, Tebet afirmou que é possível fazer esse processo sem retirar direitos da população. Ela defendeu que o foco deve estar na melhoria da qualidade do gasto público, e não em cortes indiscriminados. Segundo ela, o país já passou por um período recente de ampliação de políticas públicas, e agora precisa consolidar esse crescimento com responsabilidade fiscal.
A fala também marcou uma mudança de tom em relação a declarações anteriores. Em 2025, ainda como ministra, Tebet havia indicado que medidas mais duras poderiam ficar para depois de 2027. Agora, o discurso aponta para uma antecipação desse ajuste, diante do agravamento do cenário fiscal. Esse movimento mostra como a percepção sobre as contas públicas mudou em pouco tempo.

Além das questões econômicas, Tebet também comentou seu futuro político. Ela descartou a possibilidade de ocupar o cargo de vice em uma eventual candidatura de Fernando Haddad em São Paulo. Segundo ela, a única possibilidade em análise é disputar uma vaga no Senado. Caso isso não aconteça, afirmou que não pretende concorrer a outro cargo.
O tema do ajuste fiscal deve continuar no centro das discussões econômicas nos próximos anos. A necessidade de equilibrar as contas públicas se conecta diretamente com o crescimento do país, a geração de empregos e o controle da inflação. Quando o governo mantém suas contas organizadas, ele transmite mais confiança para investidores e reduz riscos econômicos.
No cenário apresentado, o corte de benefícios fiscais aparece como uma das principais alternativas para aumentar a arrecadação sem pressionar ainda mais o bolso da população. A proposta, no entanto, exige análise detalhada para evitar impactos negativos em setores importantes da economia. O debate segue aberto, mas o alerta foi dado. E, segundo Tebet, o tempo para decisões já se tornou curto.
