Mesmo após matar os pais: Entenda como Suzane von Richthofen pode colocar as mãos em herança

Uma brecha técnica na lei civil pode assegurar patrimônio familiar a herdeira condenada após o crime que parou o Brasil; Entenda o critério.

02/10/2026 06:00

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Entenda o motivo que faz a Justiça libera direito de Suzane em acessar herança (Foto Reprodução/Montagem/Lennita/Tv Foco/Netflix/Recorte de jornal)
Entenda o motivo que faz a Justiça libera direito de Suzane em a...
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Entenda por que a condenação histórica pelo assassinato dos pais não anula automaticamente os direitos sucessórios em relação a outros parentes

Por mais estranho que possa soar, Suzane von Richthofen pode, sob a ótica do Direito Sucessório brasileiro, receber a herança deixada por seu tio, mesmo após ter sido condenada pelo assassinato dos próprios pais em 2002.

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Inclusive, essa aparente contradição moral e social gera forte repercussão na opinião pública.

Contudo, para o bem ou para o mal, a legislação nacional estabelece critérios estritamente objetivos para a exclusão de herdeiros.

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Essas regras impedem que o passado criminal da herdeira seja aplicado de forma automática a sucessões de outros familiares.

Entenda o princípio da relatividade

Bem, a principal dúvida jurídica gira em torno de saber se a condenação penal fecharia as portas para qualquer outro direito sucessório.

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Porém, a resposta fundamenta-se nos artigos 1.814 a 1.818 do Código Civil, que tratam do instituto da indignidade sucessória.

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De acordo com essa regra, a indignidade é uma penalidade civil que exclui um herdeiro apenas quando este pratica atos graves diretamente contra o autor da herança, como:

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  • Homicídio doloso;
  • Tentativa contra o falecido;
  • Acusação caluniosa;
  • Emprego de violência para impedir a liberdade.

Logo, a lei exige um vínculo direto entre a conduta ilícita e a pessoa falecida que deixou os bens.

Sendo assim, o fato de Suzane ter sido excluída da herança dos pais não gera um impedimento automático para herdar de parentes colaterais, como um tio.

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Para que ela seja considerada indigna em relação a esse familiar, seria imprescindível a comprovação formal de que ela também praticou condutas ilícitas diretamente contra ele.

Ou seja, o repúdio social e o histórico criminal em relação ao caso não bastam para a perda do direito.

A lei da indignidade funciona de forma automática?

Outro ponto fundamental é que a indignidade não opera de forma automática.

Ela depende de reconhecimento judicial mediante ação própria, proposta por herdeiros interessados ou pelo Ministério Público, dentro do prazo decadencial de quatro anos a contar da abertura da sucessão.

Além disso, o ordenamento jurídico brasileiro não reconhece o abandono afetivo ou a simples falta de convivência entre tios e sobrinhos como causas de exclusão sucessória.

O Direito afasta julgamentos puramente morais e baseia-se em premissas técnicas:

  • Falta de contato: A ausência de vínculo familiar prolongado ou a falta de convivência por anos não retira os direitos hereditários na linha colateral;
  • Critérios objetivos: A exclusão exige previsão legal expressa e provas materiais de atos lesivos cometidos diretamente contra o titular do patrimônio;
  • Vocação hereditária: Caso o parente tenha falecido sem deixar descendentes, ascendentes ou cônjuge, e não tenha elaborado um testamento, os colaterais (como os sobrinhos) entram na linha de sucessão legítima prevista em lei.

Vale destacar que em 2023, a legislação brasileira facilitou esse processo:

  • Agora, o Ministério Público pode entrar com a ação logo após a condenação criminal definitiva.

Mas o prazo decadencial ainda é de quatro anos a contar da abertura da sucessão.

Para saber mais casos como esse e muito mais, clique aqui*.

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Autor(a):

Jornalista com formação em Moda pela Universidade Anhembi Morumbi e experiência em reportagens sobre economia e programas sociais. Com olhar atento e escrita precisa, atua na produção de conteúdo informativo sobre os principais acontecimentos do cenário econômico e os impactos de benefícios governamentais na vida dos brasileiros. Apaixonada por dramaturgia e bastidores da televisão, Lennita acompanha de perto as movimentações nas principais emissoras do país, além de grandes produções latino-americanas e internacionais. A arte, em suas múltiplas expressões, sempre foi sua principal fonte de inspiração e motivação profissional.