TELEVISIONANDO: O fracasso da Globo. Quem são os culpados?
‘ Oi Oi Oi’, ‘Vida de Empreguete eu pego às sete”… O Brasil respirou as novelas da Rede Globo neste ano de 2012. Aliás, deixa eu me corrigir, o país respirou “Cheias de Charme” e “Avenida Brasil”, pois atualmente as novelas globais passam por uma fase que não se via na Rede Globo há muitos anos.
Numa empresa em que o foco é o entretenimento, é normal uma das apostas não dar certo, mas isto não é um problema sério para uma empresa que tem vários produtos em exibição, desde que outra atração segure as pontas e compense a que não deu certo. Mas não é o caso. “Da Cor do Pecado”, “Malhação”, “Lado a Lado’, “Guerra dos Sexos” e “Salve Jorge” são a tristeza da Globo e a alegria das concorrentes que aumentaram em ritmo exponencial sua audiência.
Em momentos de crise, como a atual crise econômica, logo se trata de procurar os culpados e julgá-los com veemência. Na econômica foram incriminados a liberação de crédito sem maior controle e gastança sem limites dos Estados. Vamos seguir a ‘cartilha’ da busca dos fracassados e listar os motivos da crise na TV Globo, já que o que importa são os ‘culpados’, não é mesmo? Então vamos lá:
Certo. Identificados os culpados. Problema resolvido, certo? Não. Assim como na crise econômica a mídia busca os culpados, identificar os fracassados. Bobagem, o erro está no passado, mas o fracasso, acredite, está no presente e pode estar no futuro. Em vez de culpados, que tal procurar soluções?
Como na economia, na educação, TV e na vida como um todo procuramos os erros e esquecemos de buscar soluções. Não estou dizendo que é necessário ignorar os erros. É importante observar os erros para aprender com eles e transformá-los em ferramentas para a solução.
Como na química a fase lenta é que determina a velocidade de uma reação, na TV são os momentos de dificuldades é que determinam a força de uma emissora, que pode trabalhar para que seja um ‘momento de crise’ ou que o momento de crise se transforme numa realidade constante de crise, como aconteceu com a Record.
O horário de verão? Uma bela oportunidade para estrear uma trama vibrante como a Globo já fez no passado. Um exemplo recente foi “Cama de Gato’.
Uma trama de época? Que tal deixar para o inverno, onde as roupas pesadas e a linguagem mais pesadas possam condizer com o clima mais ameno e o maior público em casa?
A busca do lugar da mulher? Uma busca que está longe de acabar, mas que muda sempre, que tal retratar a mulher de 2012 e não a de 1980? Griselda foi um grande exemplo do quão em voga está a busca do papel da mulher com exemplos que espelham a presidência da república e das milhares de mães de família. É um desrespeito rotular a mulher de 1980 enquanto temos a atual que vive uma metamorfose que encanta pela capacidade.
-Carrossel? Um soco no estômago para mostrar que as crianças não devem ser excluídas, não são o futuro do país, já são o presente e devem ser respeitadas.
Portanto, que o único culpado condenado possa ser a falta de visão para enxergar que amanhã é um novo dia, de novas oportunidades para aplicar mudanças e não se lamentar pelo passado. Vamos aprender com os erros e fazer diferente?
Até a próxima coluna.
*As opiniões do colunista não representam a opinião do site.
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