Estrela do humorístico da Globo marcou gerações na TV, mas enfrentou fim solitário após batalha contra o câncer

Um dos capítulos mais emblemáticos e comoventes da televisão nacional diz respeito a uma brilhante atriz, a qual deu vida a uma das personagens mais icônicas da série “Toma Lá, Dá Cá”, da Globo, além de ter uma carreira que foi um verdadeiro pilar da cultura brasileira.

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Trata-se de Norma Bengell, uma das maiores divas da história do cinema e da dramaturgia brasileira, que, após décadas de contribuições fundamentais, se reinventou novamente ao integrar o elenco do humorístico.

Na série cômica, criada por Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa, ela interpretou Deise Coturno, a qual nutria uma paixão platônica pela empregada dos vizinhos, a paranaense Bozena, interpretada por Alessandra Maestrini.

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Diogo Vilela e Norma Bengell em cena de Toma Lá, Dá Cá (Foto: Reprodução/ Divulgação, Globo)

O papel foi uma grande vitrine de sua versatilidade cômica, apresentando-a a um público jovem que ainda não conhecia sua importância histórica no movimento do Cinema Novo.

Uma luta silenciosa

De acordo com o portal G1, nos anos que sucederam o encerramento do programa humorístico na televisão, a atriz enfrentou um período de severa vulnerabilidade em sua rotina.

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Além de dificuldades financeiras severas ligadas à produção independente de seus próprios filmes, a atriz viu sua saúde declinar rapidamente, chegando a depender de uma cadeira de rodas após sofrer sucessivas quedas graves em sua residência.

Em 2013, o cenário tornou-se crítico com o diagnóstico definitivo de um câncer no pulmão direito.

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Aos 78 anos, vivendo de forma reclusa em seu apartamento no bairro de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, ela tomou uma decisão que repercutiu profundamente em toda a mídia na época, quando optou por recusar expressamente o tratamento convencional contra a neoplasia.

Relatos detalhados do período indicam que a atriz preferiu preservar sua autonomia pessoal até o fim, recusando procedimentos médicos invasivos que, em seu entendimento, poderiam comprometer ainda mais sua qualidade de vida, que já estava fragilizada por problemas respiratórios crônicos.

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Um adeus discreto e solitário

A artista faleceu no dia 9 de outubro de 2013, no Hospital Rio-Laranjeiras.

A repercussão imediata de sua partida revelou uma realidade da solidão em que vivia. Isso porque o velório, realizado no Cemitério São João Batista, registrou a presença de apenas 15 pessoas no local.

Entre os presentes para dar o último adeus, estavam familiares muito próximos, como seu primo Egiberto Guimarães Costa, e pouquíssimos colegas de profissão de sua época.

Sem filhos e viúva do ator italiano Gabriele Tinti, a estrela viveu seus últimos dias sob os cuidados exclusivos de uma acompanhante contratada.

Deise Coturno arrancando um beijo em cena hilária com Mário Jorge (Miguel Falabella) - (Foto: Reprodução/ Globo)
Deise Coturno arrancando um beijo em cena hilária com Mário Jorge (Miguel Falabella) – (Foto: Reprodução/ Globo)

Suas cinzas foram lançadas ao mar na Pedra do Arpoador, respeitando o seu desejo final.

Qual foi a trajetória de Norma Bengell nas artes?

Para além da inesquecível Deise Coturno, essa grande profissional, cujo nome real é Norma Bengell, deixou uma marca indelével e inestimável na cultura e na história do país:

  • Pioneirismo no cinema: Protagonizou o primeiro nu frontal do cinema nacional no filme Os Cafajestes (1962) e participou do clássico O Pagador de Promessas (1962), a única obra brasileira premiada com a cobiçada Palma de Ouro no Festival de Cannes;
  • Cineasta e produtora: Direcionou obras de extrema relevância política, artística e histórica, como o aclamado filme Eternamente Pagu;
  • Musa da Bossa Nova: Sua faceta como cantora profissional a levou a gravar discos de sucesso e dividir palcos importantes com gigantes da música brasileira, como Tom Jobim e Vinicius de Moraes;
  • Militância contra a opressão: Foi uma figura ativa de resistência cultural, sofrendo perseguições pesadas e prisões arbitrárias durante o período da ditadura militar, o que a levou a ser reconhecida posteriormente como anistiada política.

A sua trajetória de vida permanece na história da televisão como um lembrete da importância de se preservar a memória daqueles que, por décadas, dedicaram sua arte a construir a identidade cultural do Brasil.

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