Trabalhadores pulando de alegria: redução histórica na jornada de trabalho é preparada a CLTs para 2026

Trabalhadores pulando de alegria: redução histórica na jornada de trabalho é preparada a CLTs para 2026 (Foto Reprodução/Montagem/TV Foco/Canva/Paola)
Mudança defendida pelo governo pode acabar com a escala 6×1, trazendo redução histórica na jornada de trabalho para parte dos trabalhadores
Atualmente, milhões de trabalhadores CLT seguem uma rotina considerada exaustiva, com seis dias de trabalho e apenas um de descanso. No entanto, esse modelo pode estar com os dias contados.
Agora, propostas em análise no Congresso Nacional indicam uma redução histórica da jornada de trabalho, com impactos diretos na vida de quem atua sob a escala 6×1.
Segundo dados divulgados pela Agência Pública, o debate ganhou força após a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
Ministro do Trabalho defende o fim da escala 6×1
Primeiramente, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, passou a defender publicamente a redução da jornada semanal, sem corte salarial.
Na avaliação do ministro, a escala 6×1 impõe uma rotina considerada cruel, especialmente para mulheres e trabalhadores de baixa renda.
Além disso, Marinho destacou que jornadas mais curtas ajudam a melhorar a qualidade de vida, reduzem o estresse e podem até elevar a produtividade.
Ainda segundo o ministro, a negociação coletiva pode ser o principal caminho para viabilizar mudanças, sem necessidade imediata de alterações diretas na CLT.
PEC aprovada prevê dois dias de descanso e menos horas semanais
Na sequência, a PEC 148/2015, de autoria do senador Paulo Paim, avançou no Senado ao prever dois dias de descanso remunerado por semana.
Pelo texto aprovado na CCJ, a jornada semanal deve ser reduzida de forma gradual até atingir 36 horas, mantendo o limite de oito horas diárias.
De acordo com a proposta, a transição começaria com 40 horas semanais, reduzidas ano a ano até chegar ao novo teto.
Outras propostas também tramitam no Congresso
Atualmente, existem pelo menos quatro projetos em análise que tratam do fim da escala 6×1.
Entre eles, está a PEC 8/2025, apresentada pela deputada Erika Hilton, que propõe uma jornada de quatro dias de trabalho e três de descanso, sem redução salarial.
Já a PEC 4/2025, do senador Cleitinho, prevê a adoção da escala 5×2, com jornada semanal de 40 horas.
Além disso, o PL 67/2025, da deputada Daiana Santos, também discute mudanças na carga horária, com regras de transição para as empresas.
Quem pode ser beneficiado com o fim da escala 6×1?
Segundo dados da RAIS, cerca de 33,5 milhões de trabalhadores CLT atuam entre 41 e 44 horas semanais, grupo onde se concentra grande parte da escala 6×1.
Estudos apontam que a maioria desses trabalhadores recebe até 1,5 salário mínimo e atua principalmente nos setores de comércio, serviços, construção civil e indústria.
Além disso, levantamentos do Insper indicam que trabalhadores negros representam a maior parcela entre aqueles submetidos a jornadas mais longas.
Argumentos a favor e contra a mudança
Por um lado, defensores da proposta afirmam que jornadas reduzidas diminuem o risco de doenças físicas e mentais, além de melhorar o convívio familiar.
Por outro lado, entidades ligadas à indústria alertam para possíveis impactos econômicos, como aumento de custos e queda do PIB.
Segundo estudo da FIEMG, a redução para 36 horas poderia gerar retração econômica caso a produtividade não acompanhe a mudança.
Já análises do FGV Ibre apontam um impacto menor, com redução estimada entre 2,6% e 7,4% do PIB, dependendo do modelo adotado.
O que diz a lei atualmente sobre a jornada CLT?
Hoje, a Constituição Federal estabelece jornada máxima de 44 horas semanais, com direito a um dia de descanso, preferencialmente aos domingos.
Na prática, essa regra permite a adoção da escala 6×1, além de outros modelos como 5×2 e 12×36, este último regulamentado após a Reforma Trabalhista de 2017.
Fim da escala 6×1 pode virar realidade para CLTs em 2026?
Em resumo, a redução da jornada de trabalho deixou de ser apenas um debate social e passou a avançar no Congresso.
Agora, com PECs em tramitação e apoio do governo federal, a expectativa cresce entre trabalhadores que sonham com mais tempo para viver além do trabalho.