Universalismo e Espiritualidade em “Amor Eterno Amor”
Já se tornou tradição entre os novelistas brasileiros a opção de incluir em suas tramas temas como Espíritos e atividades paranormais. Apesar de ser um país católico e com representativo número de evangélicos, o Kardecismo encontra terreno fértil nas novelas nacionais, especialmente por despertar a curiosidade das pessoas. Afinal, a morte ainda é um grande mistério, e mais que romances e intrigas, folhetins precisam de bons mistérios para ser desenvolvidos.
A linha entre a vida e a morte sempre fascinou telespectadores em todas as épocas. Quem não se lembra de “Alexandre”, personagem épico para a carreira de Guilherme Fontes, no remake de “A Viagem” (1994)? De autoria de Ivanir Ribeiro, o folhetim das 19h mergulhou com profundidade no retrato do mundo invisível que rodeia as pessoas, habitado por fantasmas do bem e do mal, e nos universos paralelos do Céu e Inferno. Com elenco de estrelas como Christiane Torloni, Lucinha Lins e Antônio Fagundes, a produção foi um grande sucesso, atingindo índices históricos para o horário e uma enorme repercussão para o assunto. Em 2005, “Alma Gêmea”, de Walcyr Carrasco, bateu recordes de audiência em sua primeira exibição no horário das 18h e ainda surpreendeu o público, com a morte dos protagonistas em seu final. Para o autor, a morte não é o fim, e a novela ousou em retratar isso por meio do desfecho dado aos seus personagens principais.
Em exibição no mesmo horário, “Amor Eterno Amor” vem da criatividade e sensibilidade de Elizabeth Jhin, escritora cujos temas envolvendo mistérios além do domínio da ciência são sua maior especialidade. Esta é a segunda trama da trilogia espírita iniciada por Elizabeth em “Escrito nas Estrelas”. O que merece ser reconhecido é a tentativa da autora de não dogmatizar, ou seja, evitar impor o Espiritismo como uma espécie de bandeira a ser defendida, ou caminho único para a compreensão da história. Fato este comprovado quando a novelista utiliza elementos recorrentes do Catolicismo e das Igrejas Evangélicas em diversos diálogos, citando anjos, santos, Igrejas e trechos da Bíblia como uma forma de universalizar o discurso dos personagens.
Ao mesmo tempo em que religiões entram em cena, a ciência aparece em discussões sobre Física Quântica e também no papel da psicóloga Beatriz (Carolina Kasting). Buscando uma nova abordagem no tratamento de seus pacientes, a profissional faz uso do método da regressão a vidas passadas. Com essa estratégia, “Amor Eterno Amor” consegue dialogar com públicos diversos, trazendo mensagens de conforto espiritual e esperança, independentemente do credo de cada um.
CÁSSIA KISS – Merece nota também o desempenho de Cássia Kiss em mais uma vilã memorável em sua trajetória na TV. Melissa é daquelas vilãs finas, elegantes, inteligentes e com um charme especial em seus trejeitos e figurinos. Mesmo nas cenas em que está em casa, vestindo seu roupão roxo escuro (meio bruxa mesmo) e sentada na cama, tomando alguma coisa na sua caneca pintada com desenhos de gotas de sangue, seu talento ainda se mostra impecável. Com uma interpretação econômica e sem excessos, Cássia consegue provar que sai de um oposto (a sofredora Dulce, em Morde & Assopra) e vai para outro com desenvoltura. A cena exibida nesta semana em que sua personagem incorpora o espírito de Zenóbio (Lucci Ferreira) e sai perambulando pelas ruas para tentar suicídio merece aplausos.
Envie sugestões!
faustomuniz.tv@gmail.com
Mais lidas
ver todas- Globo em luto: Com câncer espalhado no cérebro, âncora do Jornal Hoje morreu logo após diagnóstico fatal
- Câncer fatal: A morte devastadora de atriz mais amada da Globo e Ana Maria aos prantos com anúncio de luto
- Caiu da janela: Qual atriz morreu 2 dias após finalizar gravações na Globo?
- Henry Borel retorna em carta psicografada com mensagem chocante para mãe: “Ao invés de me proteger”
- Os milhões acabaram? Descubra o valor e destino da herança dos Richthofen