No auge da fama e campeão de cartas na emissora, Lauro Corona viveu drama silencioso nos bastidores de sucesso do horário nobre da Globo
A história da teledramaturgia da Globo guarda capítulos de intenso brilho, mas, ao mesmo tempo, de profunda dor.
Um desses casos é o de Lauro Corona, o qual foi considerado um dos maiores galãs e ídolos populares da emissora na década de 80.
O ator, em pleno auge da sua trajetória, viu sua carreira ser interrompida por complicações decorrentes do vírus da Aids.
O drama silencioso vivido pelo artista nos bastidores de Vida Nova (1988) se tornou ainda maior, uma vez que ocorreu em um período em que o diagnóstico do HIV era cercado por um estigma implacável.
Com base em informações do portal NDTV, trazemos abaixo mais sobre sua carreira e a despedida desse grande nome da teledramaturgia.
Um fenômeno
Antes de enfrentar o drama que culminaria em sua precoce partida aos 32 anos, Lauro Corona acumulou sucessos estrondosos e liderou o ranking de atores que mais recebiam correspondências de fãs na emissora carioca.
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Seu talento marcou produções antológicas do horário nobre e da faixa das sete, com destaque para as tramas:
- Baila Comigo (1981);
- Elas por Elas (1982);
- Corpo a Corpo (1984).
Além de sua marcante atuação como apresentador do programa musical Globo de Ouro em 1985.
No entanto, as complicações de saúde começaram a cobrar um preço alto quando ele integrava o elenco principal de Vida Nova (1988), obra escrita por Benedito Ruy Barbosa, conforme mencionamos acima.
Na história, ele interpretava o português Manuel Vitor, que vivia um romance proibido com a judia Ruth (Deborah Evelyn).

Saída às pressas
Com a saúde visivelmente debilitada, Lauro Corona pediu afastamento da produção sob a justificativa oficial de estafa.
Afinal de contas, o ritmo intenso das gravações tornou-se insustentável.
Para explicar sua ausência definitiva da tela, o autor precisou retirar o personagem repentinamente, justificando no enredo que Manuel Vitor havia partido de volta para Portugal.
Na tentativa de recuperar as forças e nutrindo a expectativa de retornar para as cenas finais do folhetim, o ator optou pelo isolamento, refugiando-se em um sítio localizado em Itatiba, no interior de São Paulo.
Infelizmente, a saúde continuou a se deteriorar de forma irreversível.
Quando Lauro Corona morreu?
O ator faleceu em 20 de julho de 1989, apenas dois meses após o término da novela.
O laudo médico registrou um quadro clínico de infecção respiratória, septicemia, miocardite, insuficiência renal e hemorragia digestiva alta.
Inclusive, a perda repentina de seu protagonista gerou forte impacto nos bastidores.
O saudoso autor Benedito Ruy Barbosa lamentou profundamente a ausência do ator, declarando ao jornal O Dia, em abril de 1989, que havia perdido muito na condução da história.
Como homenagem mística e comovente, a última cena gravada por Lauro Corona em Vida Nova transformou-se em um marco da TV.
Seu personagem despediu-se dos amigos em uma estação de trem, partindo em uma noite escura enquanto recitava os versos de Fernando Pessoa.
A cena foi um adeus duplo, selando a partida do personagem e do próprio artista.
Vale lembrar que todo sofrimento de Lauro Corona evidencia o peso do preconceito e a falta de tratamentos eficazes que dizimaram uma geração de talentos nos anos iniciais da epidemia.
Porém, o legado de Corona, contudo, permanece eternizado em suas obras, como nos fragmentos exibidos e disponíveis pelo Globoplay e no coração dos telespectadores brasileiros.
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Autor(a):
Lennita Lee
Jornalista com formação em Moda pela Universidade Anhembi Morumbi e experiência em reportagens sobre economia e programas sociais. Com olhar atento e escrita precisa, atua na produção de conteúdo informativo sobre os principais acontecimentos do cenário econômico e os impactos de benefícios governamentais na vida dos brasileiros. Apaixonada por dramaturgia e bastidores da televisão, Lennita acompanha de perto as movimentações nas principais emissoras do país, além de grandes produções latino-americanas e internacionais. A arte, em suas múltiplas expressões, sempre foi sua principal fonte de inspiração e motivação profissional.



