Acidente de barco tirou a vida de ator de Roque Santeiro aos 67 anos

Astro de Roque Santeiro morreu em trágico acidente de barco (Foto Reprodução/Montagem/Lennita/TV Foco/Globo)
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Conhecido por papéis inesquecíveis como o Cego Jeremias e o icônico Soró Sereno, o multiartista teve a vida interrompida em uma tarde de Carnaval que chocou o país

A teledramaturgia e o humor brasileiro são repletos de trajetórias brilhantes que foram interrompidas e deixaram saudades eternas.

Mas poucas despedidas foram tão abruptas e dolorosas quanto a do multiartista Arnaud Rodrigues.

O ator foi consagrado nacionalmente por dar vida ao marcante Cego Jeremias na lendária novela Roque Santeiro (1985), a qual está sendo reprisada na faixa vespertina da Globo.

No entanto, a sua história foi interrompida de forma trágica em 16 de fevereiro de 2010, aos 67 anos após um acidente de barco.

De acordo com o portal Terra, o artista foi vítima de um naufrágio no lago da Usina Hidrelétrica de Lajeado, no Tocantins, durante uma tarde de Carnaval.

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Arnaud Rodrigues (Foto: Reprodução/Globo)

Um momento de alegria virou pesadelo

Na ocasião, Arnaud desfrutava de um passeio na companhia de familiares e amigos.

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Aquele momento de alegria transformou-se em pesadelo quando uma severa tempestade, acompanhada de ventos fortes e chuva intensa, surpreendeu o grupo.

O que fez a embarcação virar por volta das 17h30.

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Embora moradores locais tenham agido rapidamente no resgate dos sobreviventes, salvando a esposa do ator, Celeste Rodrigues, e dois de seus netos, Arnaud Rodrigues, não resistiu.

Seu corpo foi localizado pelo Corpo de Bombeiros horas mais tarde.

O piloto da lancha, Francisco Ribeiro da Silva, também desapareceu na ocasião e teve o óbito confirmado posteriormente pelas autoridades.

Como foi a trajetória de Arnaud Rodrigues?

Nascido em 6 de dezembro de 1942, em Serra Talhada, Pernambuco, Antônio Arnaud Rodrigues construiu uma carreira que rompeu as fronteiras tradicionais da atuação.

Ele transitava com naturalidade única entre a escrita humorística, a composição musical, o cinema e a televisão.

Na Globo, sua parceria de longa data com Chico Anysio rendeu momentos de ouro para o humor nacional.

Na dramaturgia diária, ele eternizou figuras de apelo popular imediato.

Além do Cego Jeremias na trama de Dias Gomes, Arnaud deu vida ao ingênuo imigrante nordestino Soró Sereno na novela Pão Pão, Beijo Beijo (1983).

Inclusive, o carisma do personagem foi tão avassalador que migrou para os cinemas, integrando o clássico filme Os Trapalhões e o Mágico de Oróz (1984).

Sua assinatura nas telas ainda incluiu produções marcantes como “Bandidos da Falange” (1983) e “Lampião e Maria Bonita” (1982).

Anos mais tarde, o artista migrou para o SBT, onde passou mais de uma década brilhando no elenco de “A Praça É Nossa”, sob o comando de Carlos Alberto de Nóbrega.

No icônico banco da praça, fez o Brasil rir com tipos inesquecíveis, como:

  • Coronel Totonho;
  • O Povo Brasileiro;
  • Chitãoró (Sátira afiada às duplas sertanejas da época)

Também na música:

Mas, o que muitos telespectadores não sabem é que o talento de Arnaud estendeu-se profundamente à música popular.

Na década de 70, fundou junto a Chico Anysio e Renato Piau o grupo satírico Baiano & Os Novos Caetanos, lançando quatro álbuns aclamados que uniam ironia fina e ritmos nacionais.

Individualmente, Arnaud também fincou seu nome na vanguarda da música ao gravar:

  • “A Carta de Pero Vaz de Caminha” (1978);
  • “Melô do Tagarela” (1979).

Ambos considerados registros pioneiros das primeiras experimentações de rap e reggae no mercado fonográfico brasileiro.

Em 1999, encantado pela região Norte, após realizar apresentações em Palmas, o artista escolheu o Tocantins como seu novo lar.

Longe dos grandes eixos de produção de TV do Sudeste, ele uniu sua paixão artística ao esporte, assumindo o papel de dirigente do Palas Futebol e Regatas.

Vale destacar que, quando o fatídico acidente de barco aconteceu em 2010, Arnaud estava em uma fase de intensa efervescência criativa.

Ele desenhava planos concretos para retornar ao elenco de “A Praça É Nossa” e estruturava o piloto de um programa de variedades para a televisão local do Tocantins.

O desfecho trágico interrompeu os projetos, mas o vasto acervo de personagens e melodias deixados por Arnaud Rodrigues assegura que sua contribuição à cultura brasileira permaneça absolutamente inesquecível.

Mas, para saber sobre outras perdas e relembrar a trajetória de outros famosos, clique aqui*.

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Autor(a):

Jornalista com formação em Moda pela Universidade Anhembi Morumbi e experiência em reportagens sobre economia e programas sociais. Com olhar atento e escrita precisa, atua na produção de conteúdo informativo sobre os principais acontecimentos do cenário econômico e os impactos de benefícios governamentais na vida dos brasileiros. Apaixonada por dramaturgia e bastidores da televisão, Lennita acompanha de perto as movimentações nas principais emissoras do país, além de grandes produções latino-americanas e internacionais. A arte, em suas múltiplas expressões, sempre foi sua principal fonte de inspiração e motivação profissional.