Anvisa confirma nova proibição e tira de circulação outro produto popular no Brasil e amplia alerta aos consumidores além do caso da Ypê
A nova ofensiva da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) contra produtos populares vendidos no Brasil ganhou mais um capítulo nesta semana e colocou consumidores em alerta. Depois de determinar o recolhimento de de itens da marca Ypê, uma decisão que movimentou supermercados, distribuidoras e até consumidores que já tinham os produtos em casa.
A agência reguladora confirmou agora outra medida cautelar envolvendo um produto bastante conhecido no mercado de suplementação alimentar. Desta vez, o alvo foi o suplemento alimentar em gotas B12 Gotas Metilcobalamina, da marca Vitamine-se.
A medida apareceu oficialmente no Diário Oficial da União, ganhou status ativo e trouxe uma série de proibições imediatas, incluindo fabricação, propaganda, distribuição, comercialização, importação, uso e recolhimento de todos os produtos ligados à linha.

O caso chamou atenção porque aconteceu poucos dias após a operação envolvendo a Ypê e reforçou um movimento mais rígido da Anvisa em 2026, principalmente em setores ligados à saúde, suplementação e produtos de consumo diário.
O novo processo, registrado sob o número 25351.024730/2026-94, envolve a empresa V-SE Comércio e Distribuição de Vitaminas e Suplementos Ltda, localizada em Jaguariúna, interior de São Paulo, e mostra que a fiscalização avançou além dos produtos de limpeza e chegou com força ao mercado de vitaminas.
A resolução publicada pela agência, detalhou os motivos que levaram à decisão. Segundo a Anvisa, durante a análise do produto comercializado pela empresa, os técnicos identificaram que o suplemento em gotas utilizava um ingrediente que não passou por avaliação de segurança para uso sublingual. Em palavras simples, uso sublingual significa aplicação embaixo da língua para absorção mais rápida pelo organismo.
Esse tipo de uso exige avaliações específicas porque o contato direto com a mucosa pode provocar absorções diferentes das formas tradicionais em cápsulas ou comprimidos. A agência também encontrou problemas na propaganda feita pela empresa. Segundo a fiscalização, o produto aparecia no mercado com promessas que não possuem aprovação oficial, entre elas frases como “diminui as chances de desenvolvimento de patologias cardiovasculares”, “energia e disposição”, “fórmula premium e biodisponível” e ainda afirmações direcionadas a grávidas, pessoas com má digestão e pacientes que passaram por cirurgia bariátrica.
A palavra biodisponível, por exemplo, costuma indicar a capacidade de um nutriente ser absorvido pelo corpo, mas esse tipo de alegação depende de comprovação técnica e autorização regulatória. Sem essa validação, a propaganda pode ser considerada irregular.
A decisão da agência não deixou margem para continuidade das operações. O expediente 0417706/26-1 colocou a medida cautelar em situação ativa, com efeitos imediatos em todo o território nacional. Na prática, isso significa que nenhum lote do suplemento pode continuar circulando legalmente enquanto a determinação estiver vigente. O bloqueio envolve desde a fabricação até o uso pelo consumidor final.
O que é uma medida cautelar sanitária? Quando a Anvisa identifica um possível risco à saúde pública ou descumprimento de normas técnicas, a agência pode aplicar esse tipo de decisão antes mesmo da conclusão definitiva do processo administrativo. O objetivo é evitar que produtos potencialmente irregulares continuem chegando aos consumidores.
Caso Ypê
O caso da Vitamine-se ganhou ainda mais repercussão porque aconteceu logo após a ação contra a Ypê, uma das marcas mais conhecidas do setor de limpeza no país.
Na quinta-feira, 7 de maio, a Anvisa determinou a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso de diversos produtos da empresa produzidos na unidade de Amparo, no interior paulista. A medida atingiu detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes com lotes terminados em número 1.

Segundo a própria agência, a decisão contra a Ypê aconteceu após uma avaliação técnica de risco sanitário. Durante inspeções realizadas em conjunto com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, conhecido pela sigla SNVS, técnicos encontraram falhas relevantes em etapas críticas do processo produtivo. O SNVS é a rede formada por órgãos federais, estaduais e municipais responsáveis pela fiscalização sanitária no Brasil.
Entre os principais problemas apontados pela agência estavam falhas nos sistemas de garantia da qualidade, na produção e também no controle de qualidade. A Anvisa informou ainda que existia possibilidade de contaminação microbiológica. Em termos simples, contaminação microbiológica significa presença indesejada de bactérias, fungos ou outros microrganismos que podem comprometer a segurança do produto.
A resposta da Ypê veio poucas horas depois. Em nota oficial, a empresa demonstrou indignação com a decisão, classificou a medida como arbitrária e desproporcional e informou que pretende recorrer. A fabricante afirmou ainda possuir laudos independentes que apontam que os produtos são totalmente seguros e adequados para consumo.

Mesmo com as manifestações das empresas, as duas decisões mostram que a Anvisa iniciou maio com uma postura mais dura no mercado brasileiro. De um lado, produtos de limpeza amplamente presentes em supermercados. Do outro, suplementos alimentares vendidos pela internet com promessas de benefícios à saúde. Em ambos os casos, a agência usou instrumentos legais para interromper imediatamente a circulação dos itens.
Para consumidores, a recomendação é simples: verificar o lote dos produtos em casa, acompanhar comunicados oficiais das empresas e consultar diretamente os canais públicos da Anvisa em caso de dúvida. Produtos suspensos ou recolhidos não devem continuar em uso até nova orientação oficial.
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