Conheça a trajetória trágica de uma das maiores estrelas da Globo que teve a carreira destruída por um crime de violência

Nos anos 70, ao mesmo tempo que o cenário artístico brasileiro vivia sob o brilho da televisão e a efervescência das cores, ele também vivia sob as sombras de um regime autoritário que ditava as regras com muita truculência e opressão. Nesse contexto, uma promissora estrela, a qual emergiu como um dos rostos mais versáteis da Globo, viveu um dos seus maiores pesadelos.

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Com passagens por produções de sucesso como O Semideus (1973) e Corrida do Ouro (1974), e uma atuação marcante como apresentadora das primeiras edições do Fantástico, ela personificava o talento e o carisma da época.

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Leila Cravo no auge da fama (Foto: Reprodução/ Montagem/YouTube)

Além disso, ela conseguiu fazer seu nome ter destaque no cinema e em revistas daquele período. Contudo, sua ascensão foi abruptamente interrompida por um episódio violento que revelou o lado mais obscuro do Brasil.

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Uma cena de horror

Em novembro do ano de 1975, o país foi tomado pela notícia de que a atriz havia sido encontrada inconsciente, nua e com múltiplas fraturas na Avenida Niemeyer, no Rio de Janeiro, após cair da janela de um luxuoso motel.

O caso, que ganhou as manchetes como um “escândalo” moral, foi rapidamente abafado por uma versão oficial que visava proteger os envolvidos.

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Anos depois, ela teve a coragem de narrar a realidade por trás daquela madrugada. Em entrevista exclusiva ao programa Domingo Show, da Record, em 2018, ela revelou que foi vítima de agressões físicas e sexuais cometidas por um grupo de homens, entre eles, uma figura ligada ao alto escalão da ditadura militar vigente.

O trauma físico foi devastador, resultando em politraumatismo craniano, 13 dias de coma e sequelas permanentes, como a perda do paladar, do olfato e de 95% da visão do olho esquerdo.

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Segundo ela, o episódio foi uma tentativa deliberada de destruir sua carreira e sua reputação.

E, para piorar, a censura da época impedia que a imprensa investigasse crimes cometidos por aliados do governo de turno.

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Leila Cravo teve oportunidade de contar sua versão da história apenas em 2018 (Foto: Reprodução/ Record)

“Leila” no Globoplay

Após décadas de silêncio forçado e afastamento das telinhas, período em que a artista se mudou para o Paraná e tentou reconstruir a vida como empresária e escritora, a história também voltou ao centro do debate público por meio do podcast Leila, lançado pelo Globoplay.

O projeto, produzido por Daniel Pech e com roteiro de Sara Stopazzolli, foi narrado pela atriz Leandra Leal e contou com depoimentos fundamentais da filha da artista, Tathiana Cravo, e de sua neta, Ana Júlia.

O podcast não apenas reconstruiu a narrativa que o tempo tentou apagar, como serviu como um ato de libertação.

Para a família, a obra foi essencial para expor o contexto político e a perversidade do regime, permitindo que o público conhecesse a verdadeira versão de Leila Cravo sobre o incidente, detalhando como a violência do Estado e o machismo da época se uniram para tentar apagar sua real história.

Quando Leila Cravo morreu?

Leila Cravo faleceu em 5 de agosto de 2020, aos 66 anos, em decorrência de uma infecção generalizada.

Porém, a notícia de seu falecimento só foi divulgada em outubro daquele ano, dois meses após o ocorrido, fazendo com que sua partida real ficasse em total sigilo.

Ela deixou a filha, Tathiana, e a neta, Ana Júlia.

Inclusive seu último adeus parece ter sido o capítulo final de uma mulher que, após ter sua intimidade violentamente invadida em 1975, buscou no anonimato o refúgio que o Brasil daquela época lhe negou.

O caso Leila Cravo permanece como um testemunho necessário sobre como crimes contra mulheres, quando envolvem figuras de poder em regimes opressores, são tratados como ferramentas de silenciamento.

A história de Leila Cravo, marcada por tantas adversidades, convida também a uma reflexão sobre a vulnerabilidade das vítimas diante do contexto histórico em que estavam inseridas.

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