Cidades brasileiras seguem o exemplo do ES e restringem o funcionamento de supermercados aos domingos; Fique por dentro do que está acontecendo

Depois que o Espírito Santo consolidou um modelo inédito, em que supermercados permanecem fechados aos domingos, algumas cidades da região da Bahia começaram a adotar a mesma regulamentação aos domingos e feriados.

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Tal mudança, fruto de complexas negociações sindicais, mexe diretamente com o planejamento das famílias e com a escala de milhares de funcionários do setor varejista.

Organizadas por meio de convenções coletivas de trabalho, as novas regras tentam equilibrar a produtividade econômica das grandes redes com o direito constitucional ao descanso e ao convívio familiar do trabalhador de chão de loja.

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Com base em informações do Giro News e do G1, trazemos abaixo como funciona o decreto nas diferentes regiões, os impactos financeiros reais e os prós e contras que dividem as opiniões de patrões e empregados.

Ilustração cidades/ supermercados fechados (Foto: Montagem TV Foco / GMN)
Ilustração supermercados fechados (Foto: Montagem TV Foco / GMN)

Em vigor

Na Bahia, as mudanças nas regras de funcionamento já estão em pleno vigor.

Os municípios de Eunápolis, Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália, importantes polos econômicos e turísticos do estado, passaram a seguir rigidamente as diretrizes da Convenção Coletiva de Trabalho (2026/2027), firmada entre o Sindicato dos Comerciários (Sincom) e o Sindicato dos Supermercados e Atacados da Bahia (Sindsuper).

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O impacto prático varia de acordo com a realidade e a vocação econômica de cada localidade:

  • Proibição total: Em cenários comuns e fora do período de veraneio, o trabalho de funcionários aos domingos passou a ser completamente vetado nas grandes redes;
  • Restrição parcial: Em situações específicas, a abertura de estabelecimentos só é permitida em períodos de alta temporada (como no auge das férias de verão e festas de fim de ano), sob condições rígidas de jornada reduzida, pagamento de bônus extra e escala obrigatória de revezamento;
  • Exceção de mercado: As feiras livres locais e os pequenos produtores não entram na nova regra e continuam autorizados a operar normalmente em seus horários tradicionais.

Portas fechadas em 78 municípios

Conforme destacamos, esse movimento baiano reflete diretamente o pioneirismo do Espírito Santo, que, em março de 2026, se tornou o primeiro e único estado brasileiro a implementar o fechamento total das grandes redes de supermercados, hipermercados e atacadões aos domingos.

Sancionada por meio de um acordo histórico entre a Fecomércio-ES e o Sindicato dos Comerciários, a medida apresenta números expressivos no cenário nacional:

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  • Abrangência total: Atinge todos os 78 municípios capixabas, sem distinção de tamanho ou região;
  • Volume de lojas: Cerca de 1.500 estabelecimentos comerciais fecham as portas simultaneamente;
  • Impacto social: Mais de 70 mil profissionais do setor passaram a ter o domingo como um dia de folga fixa.

Assim como na Bahia, a validação jurídica da norma capixaba se ampara legalmente na Portaria nº 3.665/2023 do Ministério do Trabalho e Emprego, que condiciona o funcionamento do comércio em domingos e feriados à autorização expressa em convenção coletiva.

A única exceção aberta no estado vizinho são os pequenos mercados de bairro, conhecidos como “mercearias familiares”, que podem abrir desde que operados exclusivamente pelos próprios donos, sem qualquer funcionário contratado trabalhando no dia.

O cálculo financeiro por trás da decisão comercial

Diferente do que muitos consumidores imaginam, a decisão das empresas de fechar as portas no domingo não teve apenas um apelo de responsabilidade social; ela passou por uma análise financeira e operacional rigorosa por parte das diretorias.

Dados oficiais da Secretaria da Fazenda do Espírito Santo (Sefaz/ES) mostraram detalhadamente que o domingo é, historicamente, o dia de menor movimento e faturamento no setor.

O comparativo do desempenho financeiro diário revela essa disparidade:

  • Sábado (pico de vendas): Apresenta uma média impressionante de R$ 102 milhões em faturamento;
  • Domingo (menor movimento): Registra uma queda drástica, arrecadando apenas R$ 25,9 milhões.

Além do faturamento nitidamente mais baixo, o setor varejista enfrentava dificuldades crônicas para contratar e reter pessoal por causa do desgaste físico e mental das escalas de fim de semana.

Manter as lojas abertas gerava custos operacionais altíssimos com o pagamento de horas extras ou a concessão de folgas compensatórias no meio da semana.

Essa dinâmica acabava desfalcando as equipes de caixas e repositores em dias de grande movimento real, como as sextas-feiras e os sábados.

Prós e contras:

A folga fixa garantida no domingo dividiu opiniões entre os próprios comerciários, trazendo benefícios claros para a saúde mental, mas também impondo novos desafios práticos para a rotina pessoal dos indivíduos.

Os pontos positivos

  • Convívio social e familiar: Possibilidade real de descansar no mesmo dia em que os filhos em idade escolar e o restante da família estão em casa;
  • Mobilidade urbana facilitada: Fim do estresse logístico com a frota drasticamente reduzida de transporte público (ônibus e trens), que costuma afetar severamente quem trabalha em horários alternativos aos domingos.
Estudos comprovam que o movimento de supermercados aos domingos é menor (Foto Reprodução/Freepik)
Estudos comprovam que o movimento de supermercados aos domingos é menor (Foto Reprodução/Freepik)

Os desafios práticos:

  • Perda da valiosa “folga útil”: Sem um dia de descanso programado entre segunda e sexta-feira, os funcionários relatam sérias dificuldades para resolver pendências burocráticas cotidianas em bancos, cartórios, comparecer a consultas médicas ou ir a estabelecimentos que também fecham no domingo, como salões de beleza e repartições públicas.

O que os supermercados fazem para se adaptar?

Para não perder clientes e adaptar o público à nova realidade mercadológica, os supermercados capixabas adotaram estratégias comerciais, como:

  • Ampliação do horário de atendimento nas noites de sextas e sábados;
  • Preparando e educando o consumidor a antecipar suas compras semanais.

Além disso, grandes grupos locais começaram a adotar voluntariamente a moderna escala 5×2 (cinco dias de trabalho para dois de folga, mantendo a carga horária legal de 44 horas semanais), em uma tentativa de tornar a carreira no varejo mais atraente frente à concorrência de outros setores do mercado de trabalho.

Tem chances de os supermercados fecharem aos domingos no resto do Brasil?

O modelo adotado no Espírito Santo tem caráter estritamente experimental e passará por uma rigorosa avaliação obrigatória em novembro de 2026 para analisar o real comportamento do consumidor a longo prazo e a produtividade financeira das empresas.

O resultado funcionará como um termômetro decisivo para o resto do Brasil: se os índices de retenção de funcionários e eficiência econômica forem positivos, a tendência é que a pressão sindical para que outros estados sigam o exemplo pioneiro da Bahia e do Espírito Santo ganhe força total nos próximos anos.

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