Dívida de R$204M e pedido de falência: Fast food, nº1 como o McDonald's padece em país após colapso

Rede de fast-food, popular e nº1 como o McDonald’s, não resiste e pede pela falência após pressão de dívidas, reformas e queda nas vendas.

12/05/2025 às 07:30 · Tempo de leitura: 9 minutos

Fast food popular como o MCDonald's pede pela falência em país (Foto Reprodução/Montagem/Tv Foco/Canva/Lennita)

A Consolidated Burger Holdings, uma das maiores franqueadas regionais do Burger King, tão popular e nº1 quanto um McDonald’s, padece e colapsa nos Estados Unidos.

Inclusive, a rede entrou com pedido de falência no dia 14 de abril, após acumular perdas severas e enfrentar um impasse com a própria franqueadora.

CBH, franqueada do BK nos Estados Unidos, entra em colapso (Foto Reprodução/YouTube)

Com uma dívida estimada em R$ 204 milhões (US$ 36,6 milhões) e apenas US$ 179 mil em caixa, a empresa recorreu à recuperação judicial sob o Capítulo 11 da lei de falências americana.

Sediada em Destin, na Flórida, a CBH operava 57 restaurantes do Burger King em duas regiões estratégicas: o sul da Geórgia e diversas localidades da Flórida, incluindo unidades dentro de lojas Walmart.

A decisão pelo pedido de falência encerra anos de tentativas frustradas de reverter um desempenho financeiro negativo.

A partir de informações coletadas por meio do portal Capitalist e Bondoro, a equipe especializada em economia do TV Foco traz mais detalhes desse colapso.

Aquisição ousada, retorno problemático

A CBH foi criada em junho de 2018 com o objetivo de adquirir e revitalizar 66 unidades do Burger King que enfrentavam dificuldades operacionais.

A compra, avaliada em US$ 45,5 milhões, teve apoio direto da controladora da marca, a Restaurant Brands International.

O plano previa reformas pontuais e a revitalização completa de 14 unidades até 2020.

CBH diante das dificuldades acabou apelando pelo Capítulo 11 nos Estados Unidos (Foto Reprodução/YouTube)

Porém, logo nos primeiros meses, a nova gestora precisou arcar com reparos imprevistos que somaram mais de US$ 4 milhões.

Ainda assim, seguiu investindo. Ao todo, injetou US$ 30 milhões em:

  • Reformas;
  • Novas lojas;
  • Modernizações ao longo de cinco anos.

Melhorias nas lojas e rombo nas contas

Embora as lojas tenham passado por melhorias físicas e operacionais, o caixa da empresa seguiu no vermelho.

A CBH enfrentou alta nos custos de alimentos, energia e mão de obra, além de uma estrutura de capital extremamente alavancada desde o início da operação.

Entre 2021 e 2024, a empresa registrou prejuízos anuais crescentes.

Em 2023, a perda foi de US$ 6,3 milhões, e em 2024, saltou para US$ 12,5 milhões — mesmo com uma receita de US$ 67 milhões, quase US$ 10 milhões abaixo da registrada no ano anterior.

Situação delicada com o BK

A relação entre CBH e Burger King Corporation (BKC) começou a ficar delicada ainda em 2023.

A franqueadora notificou a empresa por atrasos nas reformas exigidas por contrato e ameaçou não renovar cinco franquias.

Em contrapartida, a CBH reagiu com um processo judicial, alegando violação contratual. A BKC, por sua vez, contra-atacou nos tribunais.

Relação entre CBH e Burger King Corporation (BKC) começou a ficar estremecida (Foto Reprodução/Internet)

Um acordo confidencial foi firmado em setembro de 2024, mas a crise financeira persistiu.

Em fevereiro de 2025, novas notificações de inadimplência foram emitidas. A franqueadora concedeu uma trégua até 14 de abril, data em que a CBH oficializou o pedido de falência.

Venda frustrada e um pedido de falência inadiável:

Na tentativa de evitar o colapso, a CBH colocou suas operações à venda ainda em julho de 2024.

A banca Peak Franchise Capital recebeu mais de 230 manifestações de interesse, mas nenhuma proposta vinculante foi feita após sete meses de negociações.

Com o caixa praticamente esgotado, a empresa optou por pedir a falência e vender seus ativos operacionais sob supervisão da corte.

Um financiamento emergencial de US$ 1,6 milhão foi obtido junto à Auxilior Capital Partners, credor sênior, a fim de garantir a continuidade das atividades durante o processo.

Impacto e cenário:

Em suma, a CBH emprega 773 funcionários e opera 57 unidades:

  • 53 tradicionais;
  • 4 dentro de lojas Walmart — espalhadas entre o sul da Geórgia e a Flórida.

Os contratos de franquia seguem válidos, mas estão sob vigilância do tribunal.

Essa não é a primeira grande franqueada do Burger King a pedir proteção judicial.

Inclusive, ainda em 2023, outras duas operadoras — Premier Kings e TOMS King — também recorreram ao Capítulo 11.

A situação da franqueada CBH afetou o BK no Brasil?

A Burger King Corporation, por sua vez, tenta reagir com um plano de modernização que prevê a reforma de até 90% das unidades nos EUA até 2028, com:

  • Foco em digitalização;
  • Visual renovado;
  • Ganhos de eficiência.

Mas, apesar do impacto nos EUA, o modelo de franquias do Burger King no Brasil permanece estável.

Conclusão:

A Consolidated Burger Holdings, maior franqueada regional do Burger King nos EUA, entrou em recuperação judicial com dívida de R$ 204 milhões.

Operando 57 lojas, tentou vender os ativos por sete meses, mas não encontrou compradores. A franqueadora e a justiça agora acompanham a venda forçada dos ativos para evitar liquidação completa.

O caso acende o alerta sobre os riscos de operar grandes franquias sem estrutura de capital robusta, mesmo quando se representa uma marca global.

Mas, para saber mais sobre essas histórias de falências, retomadas e muito mais, clique aqui*.

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