Maníaco do Parque volta ao centro das atenções após promotor do caso falar sobre possível soltura e fazer previsão assustadora sobre novos crimes

A possível soltura de Francisco de Assis Pereira, conhecido como o “Maníaco do Parque”, voltou a dominar discussões nas redes sociais, programas de televisão, fóruns jurídicos e grupos de debate sobre segurança pública. O assunto, que parecia restrito aos arquivos criminais dos anos 1990, ganhou nova força em 2024 após o promotor que conduziu a acusação no Tribunal do Júri, Edilson Mougenot Bonfim, voltar a falar publicamente sobre o caso e fazer um alerta que rapidamente repercutiu em todo o país.

Continua depois da publicidade

A declaração chamou atenção pela contundência e pelo peso de quem acompanhou de perto um dos episódios criminais mais chocantes da história brasileira. Segundo o promotor, caso o Maníaco do Parque deixe a prisão em 2028, como prevê a legislação aplicada ao caso, o risco de novos crimes continua real. “Se solto em 2028, ele voltará a matar”, afirmou Bonfim ao comentar a possibilidade de liberdade do condenado.

Maníaco do Parque (Foto: Reprodução / YouTube)
Maníaco do Parque (Foto: Reprodução / YouTube)

A fala reacendeu um debate que envolve direito penal, saúde mental, segurança pública e os limites do sistema prisional brasileiro. O caso voltou a circular com força porque 2028 já não parece distante, e a simples possibilidade de um criminoso condenado a quase 285 anos de prisão poder retornar ao convívio social provoca reações intensas entre especialistas, familiares de vítimas e grande parte da população.

Continua depois da publicidade

O Maníaco do Parque

Francisco de Assis Pereira se tornou conhecido nacionalmente como o Maníaco do Parque no fim da década de 1990, quando aterrorizou a cidade de São Paulo. Entre 1997 e 1998, ele atraiu mulheres para áreas isoladas do Parque do Estado, na zona sul da capital paulista, com falsas promessas de trabalho como modelo fotográfico.

Depois de conquistar a confiança das vítimas, ele cometia abusos sexuais e assassinatos. A investigação revelou pelo menos sete homicídios comprovados e outros nove ataques com violência sexual. Durante os processos, Francisco recebeu condenações que somadas chegaram perto de 285 anos de prisão. Para muita gente, uma sentença dessa magnitude parecia significar prisão até o fim da vida.

Continua depois da publicidade

No entanto, a legislação brasileira vigente no momento dos crimes estabelecia um limite máximo de 30 anos para cumprimento efetivo de pena, independentemente do total aplicado pela Justiça. Isso significa que, mesmo condenado a quase três séculos atrás das grades, o Maníaco do Parque pode deixar o sistema penitenciário em 2028 caso nenhuma medida judicial adicional altere esse cenário. Esse detalhe legal surpreende muitas pessoas até hoje e explica por que o tema continua viralizando sempre que o calendário se aproxima daquela data.

Edilson Mougenot Bonfim, que atuou diretamente na acusação do caso, afirma no presente que a periculosidade de Francisco permanece intacta. Segundo ele, a ciência psiquiátrica não reconhece cura para quadros extremos de transtorno de personalidade antissocial quando o nível de comprometimento alcança o padrão observado em assassinos em série. O que é transtorno de personalidade antissocial? Em termos simples, trata-se de uma condição psicológica marcada por ausência de empatia, falta de remorso, manipulação constante e incapacidade de respeitar regras sociais ou sentir culpa pelos próprios atos.

Continua depois da publicidade
Francisco de Assis Pereira, o Maníaco do Parque, na prisão (Foto: Reprodução)
Francisco de Assis Pereira, o Maníaco do Parque, na prisão (Foto: Reprodução)

Em casos extremos, esse padrão pode estar associado a comportamentos violentos repetitivos. Bonfim foi direto ao comentar a situação. “Não sou eu com opinião pessoal, é a ciência que diz isso.” Para ele, Francisco não mudou, não se regenerou e não apresenta condições de ressocialização. O promotor sustenta que o condenado apenas não oferece risco imediato porque permanece confinado dentro de uma estrutura controlada pelo Estado.

Em outra declaração que ganhou enorme repercussão, Bonfim explicou por que considera a liberdade do condenado um cenário perigoso. “Hoje ele não apresenta uma periculosidade porque está preso, está recluso, mas a partir do momento que eventualmente viesse a ganhar a liberdade, a personalidade dele seria a mesma.”

Continua depois da publicidade

O promotor também afirmou que o Maníaco do Parque tem uma predisposição específica para violência contra mulheres. Em entrevista reproduzida por diferentes veículos, ele disse: “Na penitenciária, ele está confinado com homens, o que impede que cometa feminicídios nesse ambiente. No entanto, ao sair, ele inevitavelmente terá contato com mulheres.” A fala circulou intensamente em 2024 e continua sendo compartilhada em 2026 sempre que o tema ressurge nas redes sociais.

O Maníaco do Parque vai ser liberto?

O debate também abriu espaço para uma discussão jurídica importante. Por que alguém condenado a centenas de anos ainda pode deixar a prisão? A resposta está na legislação penal antiga. Até 2019, o Código Penal brasileiro limitava o tempo máximo de cumprimento de pena a 30 anos. Depois disso, o Congresso alterou a regra e elevou esse teto para 40 anos.

Porém, a mudança não retroage para prejudicar condenados por crimes anteriores. Em linguagem simples, isso significa que a nova regra vale para fatos ocorridos depois da alteração legal, não para crimes cometidos em 1997 e 1998. Por isso, o caso de Francisco continua submetido à regra dos 30 anos.

Bonfim também aproveitou a repercussão para criticar mudanças feitas no Código Penal em 1984. Segundo ele, o país abandonou mecanismos que poderiam permitir uma análise contínua da periculosidade de criminosos extremos.

O promotor citou o chamado “sistema duplo binário”, modelo jurídico que permitia o cumprimento da pena e, depois disso, a aplicação de medida de segurança caso o condenado ainda representasse risco à sociedade. Hoje, segundo a avaliação dele, o modelo brasileiro não oferece instrumentos suficientemente fortes para lidar com serial killers ou criminosos de extrema violência.

O caso ganhou ainda mais visibilidade depois do lançamento do filme Maníaco do Parque, que levou uma nova geração a descobrir detalhes dos crimes. A produção reacendeu buscas na internet, debates em podcasts e discussões entre especialistas em criminologia.

Maníaco do Parque (Foto: Reprodução/ Internet)
Maníaco do Parque (Foto: Reprodução/ Internet)

Bonfim reconheceu que a obra ajudou a manter o caso vivo no debate público, mas afirmou que a realidade enfrentada por investigadores, promotores e familiares das vítimas foi ainda mais impactante do que qualquer dramatização cinematográfica.

Enquanto 2028 se aproxima, o nome de Francisco de Assis Pereira continua aparecendo em manchetes, redes sociais e debates jurídicos. A eventual liberdade do criminoso não representa apenas o encerramento formal de uma pena. Para muitas pessoas, ela representa um teste direto para o sistema penal brasileiro e para a capacidade do Estado de equilibrar direitos individuais, segurança coletiva e prevenção de novos crimes.

Até que uma decisão definitiva seja tomada, o alerta feito pelo promotor continua ecoando e, sempre que o assunto volta a viralizar, a pergunta reaparece com força: o Brasil está preparado para conviver novamente com um dos criminosos mais conhecidos de sua história?