Qual o interesse de quem tenta convencer Silvio Santos a vender madrugadas para igrejas? Será que já fizeram as contas das vantagens e desvantagens

17/05/2011 às 15:57 · Tempo de leitura: 3 minutos

A possível venda de horários nas madrugadas do SBT para igrejas evangélicas é um dos assuntos mais comentados nos bastidores da emissora e também em suas concorrentes. Há quem jure de pé junto que agora Silvio Santos aceitará a oferta porque, após a quebra do Panamericano, precisa de dinheiro para injetar na programação. O empresário sempre foi contra fatiar sua grade e vendê-la para produtoras independentes e para atrações com conteúdo religioso porque prefere ter o controle editorial do SBT e a possibilidade de mexer nos horários a partir das estratégias amarradas. Além disso, ao abrir espaço para as igrejas, Silvio Santos daria o mesmo recado que as emissoras que adotam esse procedimento: não tem produto suficiente para garantir receita. É uma questão delicada e o pior é que há muitas pessoas próximas do apresentador tentando convencê-lo a aceitar as propostas acima de R$ 20 milhões. Na Anhanguera, inclusive, há quem afirme que alguns serão beneficiados com essa transação, garantindo uma boa comissão. Será? Prefiro não acreditar.
O fato é que a venda da madrugada para igrejas evangélicas pode ajudar o cofre do SBT, mas colocar a emissora definitivamente longe da briga pela segunda colocação. E é fácil de entender, pena que alguns executivos não consigam enxergar a situação. O SBT vai bem no período da manhã, com alguns momentos de liderança e um placar apertado com a Record, mas com ligeira vantagem. À tarde, dependendo do dia, consegue abrir frente e fecha na vice-liderança. Já à noite, a Record dispara, marca o dobro da audiência e, com isso, amplia sua média/dia, conquistando a vice-liderança. O que ainda deixa o SBT equilibrado na média/dia é a faixa da madrugada, já que a programação da Igreja Universal não pontua bem e as séries exibidas pela emissora de Silvio Santos conquistaram público cativo.
O que vale mais: R$ 20 milhões mensais ou um placar mais apertado na média/dia? É esta questão que os executivos do SBT precisam responder antes de convencer Silvio Santos a vender as madrugadas. É uma questão de contas na ponta do lápis e da vontade de ainda competir no mercado. É claro que precisamos respeitar a decisão de quem vai optar em não voltar mais a disputar a vice-liderança.

José Armando Vanucci

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