Tela Azul que garantiu boa audiência para a Record News vira a nova subcelebridade brasileira

03/09/2012 às 21:04 · Tempo de leitura: 3 minutos

 

Uma notícia bizarra deixou muita gente curiosa no final da semana passada. Durante o horário eleitoral, o canal Record News transmite uma tela azul que alcança até meio ponto de audiência na Grande São Paulo.

É mais do que emissoras como Rede TV!, Gazeta ou Cultura costumam atingir no mesmo horário. Pior: é mais do que a própria Record News costuma obter com sua programação normal.

Como se explica isto? A princípio, pensei que se tratasse de um erro de medição do Ibope. Depois, conversando com um amigo que trabalha na televisão, entendi: a maioria dos espectadores paulistanos, como é de se esperar, corre para longe dos programas políticos.

Quem assina os canais a cabo tem muitas rotas de fuga. Quem só tem TV aberta vai zapeando até cair na Record News. Como o sinal da emissora é gerado do interior, ela não é obrigada a transmitir a propaganda política da capital. Mas, por ser aberta, não pode por nada no lugar. Daí a tela azul.

Mas então, por que esses espectadores simplesmente não desligam a TV por meia hora? Porque a tal da tela funciona como um alarme: o momento em que ela sai do ar avisa que a novela está começando.

Ou talvez ela funcione como uma instalação de vídeo-arte, quiçá assinada por Yves Klein. Tem um efeito decorativo e algo hipnótico. Quem mergulhar naquele azul vai descobrir um oceano de significados ocultos.

O fato é que a tela azul pode ser feia, mas está na moda. Dizem que já arranjou empresário, para aproveitar ao máximo seu momento em evidência. O sujeito quis até inscrevê-la no concurso de Miss Bumbum e mudar seu nome artístico para Mulher-Tela Azul, mas ela se recusou. Prefere ser reconhecida pelo talento.

Enquanto isto, os convites não param de chegar: querem que a tela azul leve seu brilho misterioso para a Ilha de “Caras”, ou que ensine sua receita favorita no programa da Palmirinha. Duas cervejarias disputam a celeste presença em seus respectivos camarotes na Sapucaí.

Ela também está cotadíssima para a próxima edição da “Dança dos Famosos”, e foi sondada para substituir Lydia Sayeg na segunda temporada de “Mulheres Ricas”. Mas o que a telinha quer mesmo é emplacar um reality show de confinamento. Já mostrou que tem mais conteúdo do que muito ex-BBB.

E aí, se for bem-sucedida, a tela azul tem um plano maquiavélico para estender seus quinze minutos de fama. Vai se candidatar a deputada nas eleições de 2014. Plataforma mais interessante do que muitos concorrentes, ela já tem.

Mas o destino lhe preparou uma peça. Se a sua candidatura vingar –e tem tudo para isto, já que diversos partidos querem seu passe– a tela azul terá que veicular sua propaganda durante o horário político. E assim não poderá ser exibida ao mesmo tempo pela Record News, que terá que escolher outra cor para o período. É dura a vida de subcelebridade.

Tony Goes, do F5.

 

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