Tragédia no Réveillon de 1989 tirou a vida de 55 pessoas, incluindo a estrela da teledramaturgia Yara Amaral, deixando bastidores marcados por comoção na TV Globo e uma batalha judicial que se arrasta por décadas
A Globo e o jornalismo brasileiro registraram um dos episódios mais dolorosos da história do país com o naufrágio do Bateau Mouche IV na Baía de Guanabara.
Ocorrido na virada de 1988 para 1989, o sinistro tirou a vida da consagrada atriz Yara Amaral, da própria emissora, e de mais 54 pessoas.
Provocada por excesso de passageiros e graves negligências estruturais, a tragédia permanece marcada pelo sentimento de impunidade.
Na ocasião, a tragédia interrompeu de forma brutal a celebração de Réveillon de dezenas de famílias.
Conforme mencionamos acima, o caso dominou o noticiário por semanas, transformando-se em um marco de luto nacional e em um divisor de águas na cobertura jornalística de emergências na televisão brasileira.
O que aconteceu, afinal?
De acordo com as informações de Na Telinha, a embarcação transportava cerca de 150 passageiros rumo à praia de Copacabana para acompanhar a queima de fogos.
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Por volta das 23h50 do dia 31 de dezembro de 1988, o barco adernou e afundou entre a Ilha de Cotunduba e o Morro da Urca.
O excesso de lotação e modificações irregulares no piso da embarcação comprometeram totalmente a estabilidade do navio.
A atriz Yara Amaral, que na época tinha os seus 52 anos.
Ela, inclusive, cumulava uma carreira brilhante na televisão, tendo como último trabalho a icônica vilã Joana Flores na novela Fera Radical (1988).

Ao contrário do que apontavam os boatos iniciais de que teria se afogado por não saber nadar, laudos posteriores confirmaram que a atriz sofreu uma parada cardíaca motivada pelo desespero dentro da embarcação.
No mesmo acidente, também perdeu a vida a mãe da atriz, Elisa Gomes.
Vale destacar que o acidente quase envolveu outros astros da TV, sendo salvos praticamente de última hora:
- Sérgio Mamberti recusou o convite por compromissos profissionais;
- Já a veterana Yolanda Cardoso não embarcou unicamente porque Yara Amaral se atrasou para buscá-la em casa, livrando a amiga do desastre marítimo.
Os bastidores do plantão histórico da Globo
A equipe da Globo foi a primeira a chegar ao local do desastre.
O repórter Renato Machado e o cinegrafista Lúcio Rodrigues estavam no mar para registrar a festa quando souberam do ocorrido nas proximidades da Praia Vermelha.
Ao seguirem os comboios de resgate até o Aterro do Flamengo, conseguiram registrar com exclusividade as primeiras imagens dos salvamentos.
O material foi exibido em edições extraordinárias de plantão e na abertura do Fantástico em 1º de janeiro de 1989.
Na manhã seguinte, a cobertura ao vivo ficou sob a responsabilidade da jornalista Sandra Moreyra, que estava grávida na ocasião.
A forte carga emocional das transmissões ao vivo motivou dezenas de telespectadores a ligarem para a redação da emissora, solicitando o afastamento da repórter em respeito ao seu estado gestacional.
Qual foi o desfecho do caso Bateau Mouche IV?
O caso do Bateau Mouche IV consolidou-se como um símbolo de morosidade no Judiciário.
Devido à lentidão processual, nenhum dos empresários responsáveis cumpriu pena em regime fechado.
Apenas uma parcela reduzida das famílias das vítimas conseguiu receber as indenizações cabíveis após anos de disputas judiciais.
O debate nacional sobre a tragédia ganhou força renovada por conta da série documental do streaming Max, intitulada:
- “Bateau Mouche: O Naufrágio da Justiça”.
Em suma, ele detalha todos os bastidores técnicos, jurídicos e jornalísticos daquele trágico Réveillon.
Mas, para saber sobre outras perdas e relembrar a trajetória de outros famosos, clique aqui*.
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Autor(a):
Lennita Lee
Jornalista com formação em Moda pela Universidade Anhembi Morumbi e experiência em reportagens sobre economia e programas sociais. Com olhar atento e escrita precisa, atua na produção de conteúdo informativo sobre os principais acontecimentos do cenário econômico e os impactos de benefícios governamentais na vida dos brasileiros. Apaixonada por dramaturgia e bastidores da televisão, Lennita acompanha de perto as movimentações nas principais emissoras do país, além de grandes produções latino-americanas e internacionais. A arte, em suas múltiplas expressões, sempre foi sua principal fonte de inspiração e motivação profissional.



