Dinheiro recorrente aos valores devidos da TV Tupi está retido em conta judicial pelo Sindicato dos Radialistas de SP
A falência da histórica TV Tupi desdobra um dos capítulos mais impressionantes da televisão e da Justiça brasileira.
Passados 46 anos do fim da emissora, um montante de R$ 2 milhões continua retido em uma conta judicial.
A Justiça aguarda o comparecimento de 49 ex-funcionários que a empresa não localizou para o pagamento de verbas de antigos acordos.
O Sindicato dos Radialistas de São Paulo garante que o dinheiro pertence a esses trabalhadores ou aos seus herdeiros legais, permanecendo guardado de forma protegida.
De acordo com a apuração exclusiva do blog de Heloisa Tolipan , a despedida da emissora ocorreu oficialmente no dia 18 de julho de 1980.
Na ocasião, o governo federal assinou o decreto declarando a cassação da concessão de sete emissoras da rede de Diários e Emissoras Associados.
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A medida foi motivada por pesados débitos fiscais, dívidas previdenciárias e sistemáticos atrasos salariais.
Engenheiros do Departamento Nacional de Telecomunicações (Dentel) lacraram os transmissores sob forte comoção nacional dos profissionais e telespectadores.
O compromisso assinado e cumprido
Quando o empresário Silvio Santos assumiu parte dos canais outrora ocupados pela Tupi para fundar o SBT, as partes firmaram um documento histórico.
O apresentador comprometeu-se a dar garantias financeiras vinculadas aos débitos da emissora extinta.
Em 1996, o Sindicato dos Radialistas de São Paulo executou judicialmente essa garantia cível, e o SBT efetuou os depósitos devidos em juízo.
Aquela ação específica foi concluída no mesmo ano, resolvendo a situação da esmagadora maioria dos mais de 800 credores da lista original.
O que aconteceu com os antigos funcionários da TV Tupi?
Apesar dos esforços da entidade sindical, que realiza buscas ativas, os 49 ex-funcionários ou seus herdeiros nunca se apresentaram ou sequer foram encontrados para sacar os saldos remanescentes de contas vinculadas ao caso.
Ou seja, sumiram sem levar absolutamente nada.
A direção do Sindicato dos Radialistas de São Paulo reforça que o dinheiro possui dono e impede a doação para outros fins ou a reversão para órgãos públicos.
A Justiça mantém cada lote em uma conta individualizada e efetua o pagamento com a devida correção assim que localiza o beneficiário.
Diferentemente do que ocorre com depósitos abandonados em contas bancárias comuns, que o Tesouro Nacional pode incorporar após determinado prazo, a Justiça mantém esse saldo judicial com destinação vinculada e intocável.
Herdeiros diretos de ex-funcionários falecidos possuem o direito legal de resgatar as respectivas parcelas.
Para isso, basta apresentar a documentação comprobatória de parentesco e o inventário na sede da entidade sindical responsável.
Marcos históricos da TV Tupi:
- Julho de 1980: Decreto presidencial extingue as concessões da primeira rede de televisão do Brasil por insolvência financeira;
- Setembro de 1995: O Supremo Tribunal Federal (STF) encerra uma das ações do massivo processo, direcionando passivos para empresas ligadas aos Diários Associados;
- Abril de 1996: O sindicato executa o termo de compromisso de Silvio Santos na esfera cível. O SBT realiza depósitos em juízo, e a ação principal é concluída, pagando a maior parte dos credores cadastrados;
- Ano de 2026: O sindicato aponta um lote atualizado de R$ 2 milhões corrigidos acumulados em contas judiciais e mantém a campanha de busca para localizar os últimos 49 beneficiários da lista.
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Autor(a):
Lennita Lee
Jornalista com formação em Moda pela Universidade Anhembi Morumbi e experiência em reportagens sobre economia e programas sociais. Com olhar atento e escrita precisa, atua na produção de conteúdo informativo sobre os principais acontecimentos do cenário econômico e os impactos de benefícios governamentais na vida dos brasileiros. Apaixonada por dramaturgia e bastidores da televisão, Lennita acompanha de perto as movimentações nas principais emissoras do país, além de grandes produções latino-americanas e internacionais. A arte, em suas múltiplas expressões, sempre foi sua principal fonte de inspiração e motivação profissional.



