Nova lei da CNH informa proibição que barra motoristas nas categorias A e B
CNH entra no centro de nova lei que informa proibição inédita e passa a barrar motoristas das categorias A e B em todo o país
Lei - CNH (Foto: Montagem/TV Foco)
CNH entra no centro de nova lei que informa proibição inédita e passa a barrar motoristas das categorias A e B em todo o país
A nova regra da Carteira Nacional de Habilitação, a conhecida CNH, passou a mexer diretamente com milhões de brasileiros que sonham em conquistar a primeira habilitação para dirigir carro ou moto. Depois de meses de debates em Brasília, o Congresso Nacional tomou uma decisão que mudou o processo para candidatos das categorias A e B da CNH, justamente as categorias mais populares do país.
Em dezembro de 2025, deputados e senadores derrubaram um veto presidencial e restabeleceram a obrigatoriedade do exame toxicológico para quem pretende tirar a primeira habilitação nessas modalidades. Na prática, isso significa que qualquer pessoa que queira conquistar a CNH para motocicletas ou automóveis agora precisa apresentar um resultado negativo em um exame capaz de identificar o uso de substâncias psicoativas nos últimos meses.
A decisão alterou pontos do Código de Trânsito Brasileiro, o CTB, que é a lei que reúne todas as regras de circulação, habilitação, fiscalização e penalidades no trânsito nacional. A mudança entrou oficialmente em vigor após a promulgação da Lei nº 15.153, publicada no Diário Oficial da União em 10 de dezembro de 2025, e imediatamente gerou dúvidas entre futuros motoristas, autoescolas, clínicas credenciadas e especialistas em segurança viária.
O novo cenário chamou atenção não apenas pela mudança burocrática, mas principalmente pelo impacto direto no bolso e na rotina de quem planejava iniciar o processo de habilitação em 2026. Até então, o exame toxicológico era exigido somente de condutores das categorias C, D e E, da CNH, ou seja, motoristas profissionais que dirigem caminhões, ônibus e veículos de transporte de carga ou passageiros.
Agora, a exigência se estende também aos condutores de veículos de passeio. A votação no Congresso foi expressiva. Na Câmara dos Deputados, 379 parlamentares votaram a favor da derrubada do veto, enquanto 51 se posicionaram contra. No Senado, 70 votos favoráveis e apenas 2 contrários consolidaram a mudança.
O texto aprovado estabelece que o candidato à primeira habilitação nas categorias A e B precisa apresentar resultado negativo antes de concluir o processo. Caso o exame aponte presença de substâncias proibidas, o candidato fica impedido de obter a permissão para dirigir naquele momento.
O que é o exame toxicológico?
Trata-se de um teste laboratorial que consegue identificar o consumo de drogas em uma janela muito maior que exames tradicionais de sangue ou urina. Enquanto exames comuns costumam detectar substâncias utilizadas nos últimos dias, o toxicológico consegue rastrear sinais de consumo de meses atrás. Isso acontece porque o material analisado geralmente vem de cabelo, pelos do corpo ou unhas.
O exame funciona por meio da análise da queratina, proteína presente nesses materiais biológicos. Quando uma pessoa consome determinadas substâncias, compostos químicos deixam vestígios no organismo e podem se fixar nessas estruturas. Mesmo que o uso tenha ocorrido semanas ou meses antes, o laboratório consegue identificar esses rastros.
A obrigatoriedade trouxe outra pergunta que passou a dominar as buscas de muitos brasileiros: o que reprova no exame? De acordo com levantamentos da Secretaria Nacional de Trânsito, a Senatran, entre 2021 e 2025, a cocaína apareceu como a substância mais detectada em exames toxicológicos realizados no país.
Isso não significa, necessariamente, que seja a droga mais consumida entre motoristas. Especialistas explicam que a substância gera metabólitos, que são resíduos produzidos pelo organismo após a metabolização, capazes de deixar múltiplos registros detectáveis no exame.
Além da cocaína, outros grupos de substâncias também podem gerar resultado positivo. Entre eles estão anfetaminas, metanfetaminas, ecstasy, maconha, opiáceos e derivados similares. Cada laboratório segue protocolos reconhecidos nacionalmente para garantir precisão e evitar erros no resultado.
Outro ponto que gerou muitas dúvidas envolve o tempo de detecção. Dependendo do comprimento do cabelo ou do material coletado, o exame pode analisar um período aproximado de 90 a 180 dias. Isso significa que mesmo um consumo que não aconteceu recentemente ainda pode aparecer.
Quem pretende iniciar o processo da primeira CNH também passou a questionar custos. Entidades do setor informaram que o exame pode variar entre R$ 90 e R$ 110, dependendo da região e do laboratório credenciado. Esse valor se soma a outras despesas tradicionais da habilitação, como exames médicos, avaliação psicológica, aulas teóricas, aulas práticas e taxas do Detran.
O que é o Detran? O Departamento Estadual de Trânsito é o órgão responsável por fiscalizar, registrar veículos, emitir habilitações e acompanhar processos ligados ao trânsito em cada estado brasileiro. É justamente o Detran que valida toda a documentação apresentada pelo candidato.
Outra dúvida surgiu entre pessoas que já estavam com o processo de habilitação em andamento quando a lei entrou em vigor. Em fóruns jurídicos e discussões públicas, especialistas apontaram que a regra não deve retroagir automaticamente, mas a aplicação prática depende de regulamentações estaduais e orientações específicas dos Departamentos de Trânsito.
Independentemente do debate, a nova lei já está em vigor e muda definitivamente o caminho de quem deseja tirar a primeira CNH nas categorias A e B.
A partir de agora, além das provas, das aulas e das avaliações médicas, o exame toxicológico passa a ser mais uma etapa obrigatória para milhões de brasileiros que desejam dirigir legalmente pelas ruas e rodovias do país.
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